Investimento estrangeiro em ações em outubro foi o maior da história

Brasil recebeu US$ 14,45 bilhões em aplicações, e boa parte desse dinheiro foi para comprar ações do Santander

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

O Brasil recebeu US$ 14,45 bilhões em aplicações de investidores estrangeiros para a compra de ações brasileiras em outubro, novo recorde desde 1947. Levantamento divulgado ontem pelo Banco Central mostra que boa parte desse dinheiro foi direcionado à compra de ações lançadas pelo Santander no Brasil no início do mês passado. Em novembro, após a decisão do governo de taxar essas operações, o ritmo de entrada de dólares diminuiu, mas o fluxo continua positivo. Até o dia 18, estrangeiros adquiriram US$ 2,25 bilhões em ações brasileiras.

O recorde foi alcançado no mês em que o Santander Brasil ofereceu suas ações numa operação de cerca de US$ 6 bilhões, o maior lançamento de papéis realizado em todo o mundo em 2009. O ingresso dos dólares para a compra de ações, porém, superou com folga o valor da operação. "Os números mostram que não foi apenas essa oferta que atraiu investidores. Há demanda por outras ações brasileiras pela análise da conjuntura e as perspectivas da economia", diz o chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel.

O professor de economia da PUC-SP, Antônio Corrêa de Lacerda, reforça a avaliação e explica que o mercado brasileiro tem atraído investidores porque foi um dos primeiros países a sair da crise. "As ações apresentam enormes possibilidades de ganhos. O Brasil se saiu bem na crise, cresce e é atrativo para o capital externo."

IOF

No fim de outubro, o governo anunciou uma taxação de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o capital estrangeiro interessado em aplicar em ações negociadas no Brasil, medida também aplicada a aplicações em renda fixa. A tributação diminuiu o ritmo de entrada de dólares, mas não impediu que o fluxo de dólares continuasse positivo. Na última semana de outubro, já com o novo imposto, estrangeiros adquiriram a média de US$ 284 milhões em ações brasileiras por dia. O valor é 65% menor que o observado nas quatro primeiras semanas de outubro. Porém, a cifra é 50% maior que a média de setembro.

Em novembro, até o dia 18, papéis brasileiros adquiridos por estrangeiros atraíram US$ 2,25 bilhões, com média diária de US$ 188 milhões.

Apesar de o interesse externo pelas ações brasileiras continuar, mudou radicalmente a distribuição desses recursos após a taxação do capital externo. Em setembro, 99,9% de todas as compras de estrangeiros foram realizadas na Bovespa e apenas 0,01% foi destinada à aquisição das ações de empresas brasileiras negociadas em outros mercados, como Nova York. Em outubro, a proporção passou para 67,2% em São Paulo ante 32,8% no exterior. No levantamento preliminar de novembro, a proporção seguiu parecida, com 67,4% em São Paulo e 32,6% no exterior.

Diante desses números, o governo anunciou na semana passada taxação nos próximos lançamentos de DRs (sigla em inglês para recibo de ação) no mercado externo. O objetivo é evitar a transferência das operações da Bovespa para bolsas no exterior.

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