Investimento sobe e vai a 17,7% do PIB

Apesar do crescimento, taxa do 3º trimestre ainda é inferior ao resultado do mesmo período de 2007 e de 2008

Fernando Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

11 Dezembro 2009 | 00h00

O Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre trouxe boas notícias em termos de investimento e de produção industrial. A chamada formação bruta de capital fixo (FBCF), conceito muito próximo ao de investimento, cresceu 6,5% ante o segundo trimestre, com ajuste sazonal, o que corresponde a uma taxa anualizada de 28,7%. A indústria, por sua vez, cresceu 2,9% (ou 12,1% anualizados) na mesma base de comparação, o desempenho mais forte entre os três setores da produção. Outro fato positivo é que o crescimento dos investimentos no segundo trimestre foi revisado de zero para 2%, em relação ao primeiro trimestre.

Tanto no caso dos investimentos quanto no da indústria, contudo, trata-se de uma jornada longa para recuperar níveis atingidos antes da crise. Os investimentos no terceiro trimestre ainda apresentam queda de 12,5% em comparação com o mesmo período de 2008, e a indústria, recuo de 6,9%. Mas essa queda em relação aos mesmos trimestres do ano anterior está recuando. No caso dos investimentos, ela foi de 14,2% e de 16%, no primeiro e segundo trimestres de 2009; no caso da indústria, de 10,4% e de 8,6%.

A taxa de investimentos da economia no terceiro trimestre foi de 17,7% do PIB. No segundo, ela tinha ficado em 15,7%, mas os técnicos do IBGE advertem que não é correto se comparar esse indicador em trimestres diferentes. Comparando-se com terceiros trimestres de anos anteriores, a taxa de investimentos de 2009 ficou abaixo da de 2007 e 2008 (18,3% e 20,1%), mas acima da de 2005 e 2006 (16,5% e 16,8%). A poupança no terceiro trimestre de 2009 foi de 15,5% do PIB, a terceira menor para esse período do ano desde 2001, e com um recuo de mais de quatro pontos porcentuais do PIB em relação aos 19,7% de 2008.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2008, a indústria de transformação caiu 7,9% de julho a setembro de 2009, o que já é uma melhora substancial em relação aos recuos (na mesma base de comparação) de 14% e de 10,8%, respectivamente, no primeiro e segundo trimestres deste ano.

Já a construção civil teve uma redução de 8,4% no terceiro trimestre, o que é uma melhora bem mais tímida ante o primeiro e o segundo trimestres (com quedas de 9,6% e 9,3%). A indústria extrativa mineral recuou 2% no terceiro trimestre, ante igual período de 2008, com queda de 22,1% na extração de minério de ferro, e alta de 4,8% na de petróleo e gás. Já a indústria de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana recuou 3,3% no terceiro trimestre (e respectivamente 4,2% e 3,8% no primeiro e no segundo).

As maiores quedas na indústria da transformação no terceiro trimestre, na comparação com igual período de 2008, foram de máquinas e equipamentos, metalurgia, produtos de metal, automóveis e material elétrico e eletrônico. Os técnicos do IBGE notaram que boa parte desses segmentos está ligada à produção de bens de capital, afetada pelo colapso dos investimentos na crise.

No setor externo, caíram no terceiro trimestre (comparado ao terceiro de 2008) tanto as exportações de bens e serviços, com 10,1%, quanto as importações, com 15,8%. Entre essas últimas, de forma análoga à indústria, os segmentos que mais sofreram estão ligados aos investimentos, como máquinas e equipamentos, metalurgia e siderurgia e material elétrico.

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