IPCA-15 é o maior desde maio por alimento e transportes

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou mais que o esperado em novembro, para o maior patamar desde maio, refletindo a reversão da queda dos alimentos e uma aceleração dos custos de combustíveis e carros.

REUTERS

26 de novembro de 2009 | 09h42

Essas são pressões pontuais e apesar de provavelmente resultarem em alguma ligeira elevação dos prognósticos da inflação para o ano, não mudam a perspectiva de preços sob controle.

O indicador teve alta de 0,44 por cento neste mês, ante avanço de 0,18 por cento em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

A mediana e a média das previsões de 28 analistas ouvidos pela Reuters apontavam uma taxa de 0,35 por cento para este mês, com as estimativas entre 0,30 a 0,38 por cento.

Os preços do grupo Alimentação e Bebidas subiram 0,39 por cento neste mês, contra queda de 0,25 por cento no anterior.

Outra pressão veio de Transportes, que acelerou a alta para 0,95 por cento em novembro, ante 0,18 por cento em outubro.

"A alta da gasolina (1,36 por cento) decorreu do impacto do aumento do preço do litro do álcool, que passou a custar 9,13 por cento a mais. Além disso, influenciando o grupo Transporte, os automóveis novos tiveram seus preços acrescidos em 1,11 por cento, enquanto as passagens aéreas atingiram alta de 18,03 por cento", afirmou o IBGE em nota.

Desses dois grupos vieram as maiores pressões individuais do mês: tomate e gasolina, com contribuição de 0,06 ponto percentual cada para a taxa do IPCA-15.

A alta dos automóveis reflete a retirada gradual, a partir de outubro, da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor automotivo.

Os preços de Vestuário também ficaram maiores, com alta de 0,63 por cento neste mês, contra 0,51 por cento no passado, assim como os de Artigos de residência, com avanço de 0,53 por cento em novembro, ante 0,03 por cento antes.

"Grande parte dos aumentos são transitórios, como transportes e alimentos, mas o comportamento de artigos de residência precisa ser monitorado nos próximos meses, para ver se há sinais de pressões de demanda por conta da recuperação econômica", disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

"Mas não muda o cenário de inflação benigna. Muitas das pressões são de curtíssimo prazo."

O IBGE acrescentou que por outro lado, Habitação registrou uma desaceleração significativa do aumento de preços, para 0,16 por cento, ante 0,47 por cento em outubro.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,79 por cento. Em 12 meses, a elevação é de 4,09 por cento.

O IPCA-15 é tido como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para a meta de inflação do país.

A metodologia de cálculo é a mesma, apurando a variação de preços para famílias com renda de até 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas do país. A diferença está no período de coleta, já que o IPCA mede o mês calendário.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Vanessa Stelzer; Edição de Alexandre Caverni)

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