IPCA acelera alta a 0,43% em julho e alimentos pesam--IBGE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou a alta ao subir 0,43 por cento em julho, após expansão de 0,08 por cento em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. O resultado, o maior mensal desde abril passado (0,64 por cento), veio um pouco acima das expectativas do mercado.

Reuters

08 de agosto de 2012 | 09h26

No acumulado de 12 meses até julho, o IPCA avançou 5,20 por cento no mês passado, também acima do esperado e mostrando alta ante os 4,92 por cento de junho. Neste caso, é a maior variação desde março último, quando subiu 5,24 por cento, e se distanciou um pouco mais do centro da meta oficial de inflação, de 4,5 por cento.

Analistas ouvidos pela Reuters esperavam avanço de 0,38 por cento do indicador no mês passado, acumulando em 12 meses ganho de 5,15 por cento. Para a variação mensal, as projeções ficaram entre 0,30 e 0,45 por cento.

De acordo com o IBGE, os principais responsáveis pelo resultado de julho foram os grupos Despesas Pessoais e Alimentação e Bebidas, que registraram alta mensal de 0,91 por cento cada no período. Os alimentos, acrescentou o órgão, pelo peso que possuem no orçamento das famílias, foram responsáveis por 49 por cento do IPCA no mês.

O movimento acompanha uma série de indicadores recentes que vinham mostrando aceleração nos preços, e corrobora o resultado do IPCA-15, que subiu 0,33 por cento em julho, ante 0,18 por cento no mês anterior, acima das expectativas.

Nesta manhã, por exemplo, foi divulgado que o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) acelerou para uma alta de 1,21 por cento na primeira prévia de agosto, ante elevação de 0,95 por cento no mesmo período de julho, também puxado por alimentos. ? Mesmo com a recente pressão nos preços, o mercado continua apostando em mais reduções na Selic --hoje na mínima histórica de 8 por cento ao ano-- para ajudar a ainda cambaleante economia brasileira. Desde agosto passado, o Banco Central já reduziu a taxa básica de juros do país oito vezes seguidas, e os agente econômicos já esperam pelo menos mais dois cortes: um de 0,50 ponto percentual em agosto e outro de 0,25 ponto em outubro.

Para o IPCA, a previsão dos analistas que participam da pesquisa Focus do BC é de que o índice terá neste ano uma alta de 5,00 por cento e em 2013, de 5,50 por cento.

O maior empecilho para uma retomada da atividade econômica brasileira é o desempenho fraco da indústria. A produção do setor subiu apenas 0,2 por cento em junho, abaixo das expectativas.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Diogo Ferreira Gomes)

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