IPCA segue previsão em maio, deve continuar comportado

Os preços de cigarros e remédios apresentaram alta menor, mas os de alimentos subiram mais, fazendo a inflação ao consumidor brasileiro ficar praticamente estável entre abril e maio.

REUTERS

10 Junho 2009 | 12h14

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,47 por cento em maio, ante alta de 0,48 por cento em abril, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Analistas ouvidos pela Reuters esperavam avanço de 0,46 por cento.

Os núcleos da inflação, acompanhados de perto por analistas e pelo Banco Central, aceleraram ligeiramente.

De acordo com cálculos da LCA Consultores, a média dos três núcleos --por exclusão e por médias aparadas com e sem suavização-- avançou 0,46 por cento em maio, ante 0,40 por cento em abril.

Em junho, o cenário também parece benigno, segundo analistas, e a taxa em 12 meses deve desacelerar para baixo de 5 por cento pela primeira vez em quase um ano.

Eulina Nunes dos Santos, economista do IBGE, disse que "há pouca pressão programada para junho, até agora".

Segundo ela, as pressões de alta virão de reajustes de táxi em Brasília e de ônibus em Fortaleza. O impacto de baixa virá da queda da tarifa de gás encanado em São Paulo.

A LCA Consultores comentou em relatórios que as pressões pontuais que pesaram em maio não impactarão mais em junho, prevendo uma desaceleração da inflação para 0,25 por cento neste mês.

A consultoria alertou, no entanto, que os alimentos podem surpreender.

"Para junho, as pressões pontuais como os preços de cigarros, gastos com empregado doméstico e tarifa de energia elétrica residencial perderão força, o que contribuirá para uma importante desaceleração. O principal fator de risco é um repique nos preços do grupo Alimentação e bebidas", avaliou.

ALIMENTOS

Os alimentos já foram um dos destaques de alta em maio. Os preços de Alimentação e bebidas subiram 0,44 por cento, ante alta de 0,15 por cento em abril. A principal contribuição individual de alta para o IPCA partiu desse grupo: leite pasteurizado.

"Os números de abril e maio são iguais, mas as causas são diferentes. Houve (em maio) uma pressão concentrada no grupo alimentação devido à entressafra na produção de leite. Os vilões de abril perderam força (cigarros e remédios) e deram lugar aos alimentos", disse Eulina, do IBGE.

Os custos de Despesas Pessoais aumentaram 1,57 por cento no mês passado, ante 2,14 por cento no anterior. Esse movimento reflete a desaceleração da alta dos cigarros.

Apesar da queda, o item foi a segunda maior contribuição individual para o IPCA de maio.

Os preços do grupo Saúde e cuidados pessoais também desaceleraram a alta, para 0,68 por cento em maio ante 1,10 por cento em abril. Os remédios, reajustados recentemente, subiram 1,33 por cento em maio, abaixo da alta de 2,89 por cento no mês anterior.

O IBGE acrescentou que, de janeiro a maio, o IPCA acumulou alta de 2,20 por cento e nos últimos 12 meses, de 5,20 por cento.

"Os 12 meses estão caindo desde janeiro. Todo o primeiro semestre de 2008 foi de pressão sobre a alimentação pela demanda forte por alimentos aqui e no exterior", acrescentou Eulina.

(Por Rodrigo Viga Gaier e Vanessa Stelzer)

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