IPCA surpreende e desacelera em novembro para 0,36%

A inflação oficial brasileira desacelerou em novembro, contrariando as estimativas de analistas, em mais um sinal do desaquecimento da atividade econômica diante da crise externa. O dado pode reforçar a pressão para que o Banco Central inicie um ciclo de redução de juros mais cedo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza a política de metas de inflação, subiu 0,36 por cento em novembro depois da alta de 0,45 por cento em outubro. Analistas consultados pela Reuters projetavam avanço de 0,50 por cento. As projeções variaram de 0,47 a 0,55 por cento. "Com o noticiário sobre a crise, as pessoas ficam mais cautelosas e evitam gastar de qualquer maneira. O comércio, para atrair os consumidores, acaba oferecendo facilidades, como descontos e preços mais baixos", afirmou Eulina Nunes dos Santos, do IBGE. Ela destacou os preços menores de vestuário e automóveis usados. Os preços de alimentos também recuaram. Segundo Eulina, o efeito do dólar mais caro tem sido compensado pelo recuo dos preços das commodities internacionais. "Este momento do dólar é diferente de outros choques cambiais, quando o impacto se transmitiu intensamente e de forma rápida sobre os alimentos", disse. "Desta vez isso não acontece. A situação é diferenciada por conta das commodities caindo no mercado internacional e mudanças nos mecanismos de crédito que fazem com que as pessoas comprem menos." No ano, a moeda norte-americana acumula alta de mais de 40 por cento sobre o real. INFLAÇÃO DE 6,39% EM UM ANO Os custos dos alimentos subiram 0,61 por cento no mês passado, após a alta de 0,69 por cento em outubro. No caso de vestuário, a desaceleração foi mais significativa: alta de 0,71 por cento em novembro ante 1,27 por cento em outubro. "O desaquecimento mais pronunciado da atividade econômica mundial tem sido um importante vetor de desaceleração dos preços no atacado e no varejo", destacou a consultoria LCA em relatório. "Neste sentido, os preços do atacado perderam força nos últimos resultados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas, como no IGP-M de novembro, em que os preços industriais apresentaram descompressão --movimento ligado à redução das cotações de boa parte das commodities." No ano, o IPCA acumula avanço de 5,61 por cento e nos últimos 12 meses, de 6,39 por cento, próximo ao teto da meta fixada pelo governo. O BC persegue uma meta de inflação de 4,5 por cento, com margem de variação de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) realiza a última reunião de 2008. Analistas esperam que a taxa básica de juro seja mantida em 13,75 por cento ao ano. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

REUTERS

05 Dezembro 2008 | 13h20

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