IPCA tem menor alta do ano com alívio de alimentos

Depois de 4 meses em alta, os alimentos deram um trégua em maio e ajudaram a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo a desacelerar em maio para o menor patamar do ano.

RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

09 de junho de 2010 | 11h39

A algumas horas de o Comitê de Política Monetária definir o novo patamar do juro básico do país, o IBGE informou nesta quarta-feira que o IPCA avançou 0,43 por cento em maio, após alta de 0,57 por cento em abril. O índice serve de referência para o sistema de metas de inflação do país.

Analistas ouvidos pela Reuters previam alta de 0,43 por cento do IPCA, segundo mediana de 20 estimativas que foram de 0,40 a 0,49 por cento. Para o Copom, que anuncia sua decisão esta noite, a expectativa do mercado é de uma alta de 0,75 ponto percentual na Selic, hoje em 9,50 por cento ao ano.

Segundo cálculos de economistas, o índice de difusão do indicador ficou estável em 60,9 por cento entre maio e abril. Já a média dos três núcleos do índice subiu mais, em 0,59 por cento em maio, ante 0,45 por cento em abril.

O IBGE informou que os preços do grupo Alimentação e bebidas desaceleraram a alta para 0,28 por cento em maio, ante 1,45 por cento em abril, sendo que a contribuição do grupo para o IPCA desacelerou de 0,33 para 0,06 ponto percentual.

"Os problemas climáticos cessaram e é nítido que o resultado foi influenciado pelo comportamento dos alimentos", disse a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

"O que tivemos no início do ano foram acentuados problemas climáticos. A redução da oferta influencia nos preços, assim como a qualidade dos produtos cai e os grãos selecionados ficam mais caros. Muitos produtores também aproveitam para ganhar mais."

Apesar do alívio em maio, os alimentos continuam no topo da lista de impactos em 2010. O grupo acumula até maio alta de 5,48 por cento, mais do que a elevação de 3,18 por cento em todo o ano passado. A alta acumulada em 2010 já é a terceira mais alta no Plano Real, atrás apenas de 2003 e 2008, anos de impacto cambial e de elevação de commodities, respectivamente.

Em maio, houve desaceleração da alta de preços de itens como cebola, feijão carioca, feijão mulatinho e batata inglesa, e quedas em produtos como tomate, açúcar cristal e pescado.

Os custos de Vestuário amenizaram a alta para 0,91 por cento em maio, comparado a 1,28 por cento em abril. Os de Saúde e cuidados pessoais também subiram em ritmo menor, em 0,74 por cento, após 0,84 por cento no mês anterior.

ALTA EM 12 MESES ARREFECE

O avanço acumulado do IPCA em 12 meses até maio diminuiu pela primeira vez desde outubro do ano passado, ficando em 5,22 por cento.

"A trégua dada pelos alimentos ajudou nesse movimento importante para que o índice se aproxime mais dos 5 por cento", disse Eulina.

Nos primeiros cinco meses do ano, o índice teve avanço de 3,09 por cento.

Já os preços de Habitação subiram mais, em 0,78 por cento em maio contra 0,08 por cento em abril, refletindo o aumento da tarifa de energia elétrica em Salvador, Fortaleza, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Os custos de Transportes tiveram variação positiva de 0,09 por cento em maio, ante oscilação negativa de 0,08 por cento em abril.

Entre os destaques individuais de altas estiveram empregados domésticos (1,12 por cento) e automóveis novos (0,76 por cento), segundo o IBGE.

Para junho, por enquanto há poucas pressões, como o reajuste nacional de cigarros e o aumento na tarifa de táxi em Recife.

(Reportagem adicional de Vanessa Stelzer)

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