Ipea: Carreira militar é campeã em proteção trabalhista

O estudo "Perspectivas profissionais - nível técnico e superior", divulgado nesta quarta-feira, 3, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em edição especial do boletim Radar, destaca que, considerando a hipótese de um homem de 49 anos com nível superior, que mora na cidade de São Paulo, quem recebe mais é o profissional da área de medicina, com R$ 8.459 mensais a preços atuais. Quem ganha menos é aquele que atua na área de religião, com R$ 2.175. Quem trabalha mais é o engenheiro mecânico, com 42,9 horas semanais. E que trabalha menos é o formado em física, com 34,6 horas por semana.

AYR ALISKI, Agência Estado

03 de julho de 2013 | 11h29

A carreira campeã de proteção trabalhista é a militar, com 97% de cobertura previdenciária. Os menos protegidos são os que trabalham com serviços pessoais, como de estética (72% de cobertura). Quem, em idade ativa, tem mais chance de conseguir trabalho é o profissional de medicina, com 97%, enquanto o último é aquele formado em filosofia, com 89% de chance.

O estudo mostra também as carreiras de nível superior que mais geraram empregos entre 2009 e 2012, considerando dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No período analisado, foi gerado no Brasil um total de 304.317 postos de trabalho de vagas de nível superior. O ranking mostra que mais geraram vagas foram as de analistas de tecnologia da informação (49.535), enfermeiros e afins (27.282) e profissionais de relações públicas, publicidade, mercado e negócios (20.853). Ou seja, ao menos 16 a cada cem desses postos de trabalho gerados empregaram analistas de tecnologia da informação. Enfermeiros e afins absorveram nove a cada cem novos postos de trabalho.

Ganhos e perdas

O Ipea destaca os ganhos salariais obtidos nesses três anos incluídos na análise. Considerando valores atualizados para dezembro de 2012, o salário médio de um profissional em ocupações de nível superior subiu de pouco mais de R$ 2 mil, em janeiro de 2009, para pouco menos de R$ 2,4 mil, o que representa um aumento real, ou seja, acima da inflação, de cerca de 16% no período. "O ritmo de crescimento - mas não o crescimento em si - dos salários reais desses profissionais chegou a se reduzir ligeiramente entre meados de 2010 e fins de 2011, mas retomou o vigor ao longo de 2012, apesar da redução do crescimento econômico no período", cita o estudo.

O crescimento real dos salários, no entanto, é bastante heterogêneo quando se consideram as diferentes atividades de nível superior. Entre os maiores ganhos salariais, predominam ocupações típicas do setor público, médicos, algumas especializações de engenharia e arquitetura, pesquisadores em engenharia e em ciências da agricultura e algumas especializações de professores do ensino superior.

Há também ocupações de nível superior que apresentaram queda dos salários reais dos profissionais admitidos no período entre 2009 e 2012. Esse grupo corresponde a dezenove famílias ocupacionais, com destaque para algumas retrações superiores a 20%, como no caso dos defensores públicos e procuradores da assistência judiciária (perdas reais de 25,1%), engenheiros de alimentos e afins (27,4%), músicos intérpretes (31,8%), chefes de cozinha e afins (37,3%), engenheiros ambientais e afins (52,6%) e delegados de polícia (64,4%).

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