Ipea: freio na queda da desigualdade não veio para ficar

Pela ótica dos brasileiros, a economia real está com crescimento chinês. A afirmação é do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri. O economista estima que a freada na queda da desigualdade de renda, apontada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2012), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não é uma tendência que veio para ficar.

VINICIUS NEDER, Agência Estado

27 de setembro de 2013 | 15h21

"Apesar do pibinho, a renda média acelerou", disse Neri, em entrevista coletiva, no Rio, para comentar os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, apresentada nesta sexta-feira, 27, pelo IBGE. "O Brasil dos economistas está muito pior do que o Brasil dos brasileiros, reportado pela Pnad", completou.

Segundo os dados trabalhados por Neri, de 2003 a 2011, o crescimento da renda domiciliar per capita, vista na Pnad, foi de 40,5%, enquanto o PIB per capita avançou 27,7%. O quadro se agravou em 2012: o Ipea calcula em 8% a alta do rendimento domiciliar per capita. Neri destacou que o PIB per capta cresceu apenas 0,1% em 2012.

Neri citou ainda dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), também do IBGE, para mostrar que a tendência de desaceleração na queda da desigualdade se dissipou em 2013. "A saga da queda da desigualdade continua."

Cálculos do Ipea mostram que, em julho 2013, o Índice Gini do rendimento do trabalho estava em 0,547 (quanto mais perto de 1, mais concentrada é a renda), ante 0,561, em março de 2012. Embora os dados da PME e da Pnad não sejam comparáveis, a tendência da primeira costuma se confirmar na segunda, segundo Neri.

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