IPT coordena consórcio tecnológico de alumínio

Um consórcio de 11 empresas de extrusão de alumínio promete viabilizar o desenvolvimento de uma série de inovações tecnológicas, com o objetivo de tornar o setor mais eficiente e competitivo. A proposta e coordenação do consórcio é do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, que realizou um levantamento das necessidades e prioridades do setor e agora trabalha simultaneamente pelo menos 4 projetos de inovação, com apoio da Associação Brasileira de Alumínio (Abal).A extrusão do alumínio é um processo de moldagem de peças, no qual se força a passagem de barras (chamadas de tarugos) através de orifícios, com alta pressão e altas temperaturas (cerca de 600oC), visando obter formas alongadas. No Brasil, as peças extrudadas são utilizadas principalmente na construção civil (esquadrias) e na indústria automobilística. Apesar de ser o sexto produtor mundial de alumínio, com 1,3 milhão de toneladas anuais, o país ainda manufatura muito pouco e apresenta baixo consumo interno, de 7 a 8 vezes menor do que o consumo per capita do Japão ou dos Estados Unidos. No setor de extrusão de alumínio, existem cerca de 60 empresas, das quais 3 são grandes ? Alcoa, CBA e Hydro ?, uma é média ? ASA ? e as outras são pequenas, com muitas carências tecnológicas.?A partir do diagnóstico do setor, realizado em 2000, agrupamos as demandas da maioria das empresas em 3 áreas, sobre as quais o consórcio tecnológico pretende atuar: desenvolvimento e inovação tecnológica; formação e aperfeiçoamento de recursos humanos e acesso das empresas aos laboratórios do IPT?, conta Marcelo Gonçalves, responsável pelo Programa Extrusão de Alumínio (PEA) do instituto. A intenção agora é buscar novas parcerias ou um convênio guarda-chuva, com instituições financiadoras de pesquisas, para garantir cerca de R$ 300 mil anuais, suficientes para desenvolver os 4 projetos simultâneos de pesquisa previstos. Um dos primeiros projetos, já com resultados, contou com recursos do Centro Quebec de Pesquisa em Desenvolvimento em Alumínio (CQRDA), do Canadá, que investiu US$40 mil na melhoria das ferramentas de extrusão de alumínio, com uma contrapartida do IPT, no valor de US$10 mil. Dois tipos de recobrimento das ferramentas foram desenvolvidos, com redução do desgaste e aumento da vida útil. As ferramentas são feitas de aço, revestido com nitrogênio (nitritação), através de um tratamento termoquímico de endurecimento a gás. Cada tratamento deve ser diferenciado, conforme o tamanho das prensas e uso que se faz das ferramentas.Outro projeto em andamento, no qual também já se obteve resultados, é o de alteração da mistura de alumínio do tarugo, a barra a ser submetida à pressão durante a extrusão. Enquanto o mix tradicional é de 80% de alumínio primário e 20% de material reciclado, no projeto desenvolvido pelo IPT junto com a empresa Metalix, os porcentuais são invertidos, com aproveitamento de 80% de alumínio reciclado e apenas 20% de primário. Além da redução de custo, a nova mistura tira do entulho as sucatas de alumínio da construção civil (que constituem um volume considerável) e reduz o alto consumo de energia relativo ao beneficiamento do minério de alumínio. A nova mistura também aproveita o rejeito da própria extrusão, que produz pelo menos 20kg de sobras para cada 100kg de alumínio colocado na prensa.

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