Irã anuncia construção de 10 usinas

Expansão do programa atômico desafia potências ocidentais; Casa Branca diz que Teerã ''escolhe'' se isolar

, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2009 | 00h00

O governo iraniano anunciou ontem que planeja construir dez novas usinas de enriquecimento de urânio, em um claro gesto de desafio às potências ocidentais após a censura da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), na sexta-feira. Segundo a emissora estatal do Irã, a IRIB, as obras para cinco das novas usinas começarão em dois meses. Para as outras cinco, o início demorará um pouco mais, pois ainda é necessário escolher o local de construção.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou que, com as usinas, seu país dever produzir entre 250 e 300 toneladas de combustível nuclear ao ano. "Temos uma abordagem amigável com o mundo, mas não deixaremos ninguém prejudicar os direitos do Irã", disse. Teerã garante que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis, mas grande parte dos países ocidentais acredita que o país está tentando desenvolver bombas atômicas.

O anúncio provocou reações imediatas dos EUA e da Grã-Bretanha. Para a Casa Branca, os planos de expansão do programa nuclear "são mais uma violação" de Teerã a suas obrigações com a comunidade internacional e demonstram que o país "está escolhendo se isolar". O governo britânico classificou o fato como "muito preocupante".

A AIEA, que condenou o Irã pela construção em segredo da usina atômica de Fordow e pediu a paralisação imediata de suas atividades, tentava há meses dissuadir o país de desenvolver tecnologia para enriquecer urânio e propôs que outros países realizassem o processo para o Irã.

O produto final do urânio processado para equipamentos médicos ou produção de energia impossibilita seu aproveitamento na construção de armas atômicas, mas o processo de enriquecimento de urânio para qualquer fim é muito semelhante.

Pela proposta rejeitada pelo regime iraniano, Teerã enviaria 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para ser processado em duas etapas - ao longo de 18 meses - na Rússia e na França. A quantidade de urânio embarcado corresponderia a cerca de 75% de todo o material radioativo do país.

A estratégia era uma tentativa de evitar, ou retardar, a capacidade iraniana de desenvolver armas nucleares, coisa que os EUA temem que possa ocorrer dentro de aproximadamente cinco anos.

O Islã Atômico

Bushehr - Usina de energia atômica ainda em construção, conta com parceria russa para a instalação do reator

Isfahan - Local de processamento inicial do urânio em estado bruto, recebe inspeções regulares da AIEA

Natanz - Grande complexo subterrâneo cuja capacidade total - de 5 mil centrífugas - ainda não está sendo utilizada

Fordow - Recentemente revelada, a usina construída dentro de uma montanha deve operar a partir de 2011

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