Irã culpa os EUA e outros por fracasso do plano de Annan

O Irã culpou na sexta-feira países árabes e ocidentais pelo fracasso do plano de paz de Kofi Annan para a Síria, disse a agência estatal de notícias Irna, um dia depois de o ex-secretário-geral da ONU anunciar que deixará o posto de enviado internacional.

Reuters

03 de agosto de 2012 | 10h37

Annan disse na quinta-feira que está frustrado com as trocas de acusações e com o impasse no Conselho de Segurança, enquanto a rebelião contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, se torna cada vez mais sangrenta.

"A referência do sr. Annan à falta de unidade no Conselho de Segurança não é uma referência à China e à Rússia (países aliados de Assad). Os norte-americanos estão fazendo projeções e tentando sugerir a sua própria opinião em vez da realidade", disse o chanceler Ali Akbar Salehi, segundo relato da agência Irna.

"Em geral, os países ocidentais e alguns países da região não queriam que o plano do sr. Annan desse certo, porque nesse caso eles não alcançariam seus objetivos."

As autoridades iranianas manifestaram apoio repetidamente aos esforços de Annan, centrados em um cessar-fogo que foi declarado em abril, mas não chegou a ser respeitado.

O regime xiita do Irã apoiou as rebeliões populares que derrubaram os governos do Egito, Líbia e Iêmen, mas mantém resolutamente sua aliança com Assad, membro da seita minoritária alauíta, que é uma variação do islamismo xiita.

Annan já declarou em várias ocasiões que o Irã deveria ter um papel nos esforços internacionais para resolver a crise síria, mas potências ocidentais e árabes se opõem terminantemente a isso.

Em artigo publicado pelo jornal Financial Times, Annan disse que Rússia, China e Irã "precisam fazer esforços coordenados para persuadir a liderança síria a alterar o rumo e adotar uma transição política (...). Está claro que o presidente Bashar al Assad deve deixar o cargo".

Líderes iranianos acusam o Ocidente de tramar com países árabes para derrubar a liderança síria e fortalecer o status de Israel na região, usando como ferramenta para isso o apoio a grupo militantes extremistas.

No mês passado, o Irã se ofereceu para sediar um diálogo entre o governo sírio e grupos de oposição, mas os adversários de Assad declinaram do convite.

Salehi disse que a renúncia de Annan não significa o fim do seu plano de paz. “"O plano do sr. Annan vai continuar, já que é o melhor plano sobre a mesa."

Mais cedo, o porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, culpou "alguns países intervencionistas" pelo fracasso do plano de Annan, que contém seis itens, inclusive a desmilitarização das cidades sírias, o fim imediato dos combates e o início da uma transição política.

"Não só esses países não ajudaram (...) o plano de Annan (como também) todas as vezes em que seu plano deu certo em uma área nós testemunhávamos um aumento nas ações terroristas na Síria", disse Mehmanparast, segundo a Irna.

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