Irã tem detonador para bomba, diz 'The Times'

Jornal tem acesso a documentos que provariam uso militar do programa nuclear iraniano; descoberta amplia pressão por novas sanções a Teerã

AP, de Londres, O Estadao de S.Paulo

15 Dezembro 2009 | 00h00

O jornal britânico The Times informou em sua edição de ontem que o Irã está testando um componente-chave usado para detonar uma bomba nuclear. O jornal teve acesso a documentos confidenciais de inteligência do Irã datados do início de 2007. As notas descrevem o uso de uma fonte de nêutrons, o deutério, um isótopo do hidrogênio usado nos processos de fusão nuclear.

Segundo especialistas ouvidos pelo Times, não há outro uso possível para o componente, nem civil nem militar, a não ser a produção de uma arma nuclear. Os mesmos documentos foram recebidos por agências de inteligência de vários países ocidentais.

Uma fonte da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que a organização teve acesso aos documentos. Segundo o Times, os memorandos estavam escritos em farsi e foram traduzidos para o inglês por dois tradutores independentes.

O Irã afirma ter um programa nuclear para a produção de energia, mas países ocidentais afirmam que o país quer construir uma bomba atômica. Teerã já foi alvo de três rodadas de sanções do Conselho de Segurança da ONU, mas se recusa a interromper o programa.

A descoberta do detonador, porém, aumenta a pressão sobre o Irã. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse ontem que os esforços diplomáticos dos EUA não estão dando resultado e defendeu novas sanções ao país. "Não há dúvida de que o engajamento não está funcionando", disse Hillary. "É preciso adotar novos mecanismos de pressão para fazê-los mudar de rumo."

AMERICANOS PRESOS

Em meio à crise nuclear, os EUA envolveram-se em outro grave atrito diplomático com o Irã. O país levará a julgamento três americanos que foram presos em agosto acusados de espionagem e de ter entrado ilegalmente em território iraniano. Shane Bauer, de 27 anos, Sarah Shourd, de 31, e Josh Fattal, de 27, estariam fazendo uma caminhada no Iraque e teriam cruzado acidentalmente a fronteira.

Hillary disse ontem que as acusações contra eles são "infundadas" e apelou às autoridades iranianas para que os libertem. "Eles estavam fazendo uma caminhada quando, infelizmente, cruzaram a fronteira que não estava visivelmente demarcada", afirmou a secretária.

SANÇÕES EM 3 RODADAS

Dezembro de 2006 - Primeiras sanções restringem comércio de material nuclear e congela ativos de empresas e indivíduos que participam do programa iraniano

Março de 2007 - Segunda rodada de sanções proíbe venda de armas e amplia congelamento de ativos

Março de 2008 - Terceira rodada de sanções aumenta a lista de indivíduos e órgãos cujos ativos estão congelados

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.