Iraquiano é condenado por atropelar e matar filha 'americanizada'

Pai de família que se mudou para os EUA nos anos 1990 considerava 'imoral' o comportamento da filha.

BBC Brasil, BBC

16 de abril de 2011 | 11h30

A Justiça americana condenou a 34 anos de prisão um iraquiano que atropelou e matou a própria filha por considerá-la "ocidentalizada demais".

Faleh Almaleki matou a filha Noor em outubro de 2009, depois que ela abandonou a casa da família e rejeitou um casamento acertado com o primo.

Noor tinha 20 anos. O caso chocou a cidade de Glendale, no Estado do Arizona, para onde a família havia se mudado após deixar o Iraque nos anos 1990.

Segundo relatos da imprensa local, embora fosse fluente em árabe e se orgulhasse de suas origens no Oriente Médio, Noor vestia calça jeans, usava maquiagem, trocava de namorados e inclusive havia feito fotos como modelo.

Entretanto, para o pai, a filha havia se "americanizado" e tinha um comportamento "imoral".

No auge dos desentendimentos familiares, a jovem saiu de casa para morar com a família do namorado.

No dia 20 de outubro de 2009, usando seu jipe Cherokee como arma, Faleh atropelou a filha e a mãe de seu namorado em um estacionamento no vilarejo de Peoria.

Noor morreu poucos dias depois, no hospital; a sogra sobreviveu.

O iraquiano fugiu para o México e de lá tomou um voo para a Grã-Bretanha, mas foi preso e deportado ao desembarcar em território britânico.

O crime despertou a atenção da comunidade e gerou protestos de grupos de direitos humanos, que pediram justiça contra os chamados "crimes de honra", normalmente cometidos por parentes para "limpar a honra" da família.

Ao emitir seu parecer, o juiz da Corte Superior do condado de Maricopa, onde o caso foi julgado, disse ter ficado impressionado com a expressão de "falta de remorso" do pai.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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