Irlanda tenta o impossível com a Fifa: ser a 33.ª seleção na África

País pleiteia vaga como compensação pelo gol irregular sofrido contra a França, mas vai ficar apenas no choro

Almir Leite, CIDADE DO CABO, O Estadao de S.Paulo

01 Dezembro 2009 | 00h00

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, tem grande chance de fazer valer sua vontade amanhã e aprovar a adoção de mais dois auxiliares de arbitragem já a partir da Copa da África. O Comitê Executivo da entidade vai se reunir na Cidade do Cabo e o reforço na arbitragem será tema principal dos debates. Apesar da oposição de alguns integrantes do Comitê, a polêmica criada com o gol que pôs a França no Mundial - Gallas marcou contra a Irlanda, após Henry ter ajeitado a bola com a mão de maneira escandalosa - conspira a favor de Blatter.

No encontro, um tema inusitado será discutido. A Federação Irlandesa de Futebol pediu, ontem, a inclusão de sua seleção na competição como a 33ª integrante, algo inédito na história. Os dirigentes alegam que o erro de arbitragem foi tão grosseiro e claro que a equipe mereceria um lugar na disputa como forma de compensação.

Embora tenha evitado dar um parecer antes da realização da reunião, Blatter deixou claro que não há chance de os irlandeses obterem sucesso. O acréscimo de um time mexeria com tabela, número de jogos, aumentaria de quatro para cinco o número de participantes num grupo, entre outras coisas. E outras seleções se julgariam no direito de fazer o mesmo. Os costa-riquenhos, por exemplo, já se manifestaram e disseram ter sido prejudicados contra o Uruguai na repescagem.

O desejo de Blatter é evitar que erros, como o que eliminou a Irlanda, sejam reduzidos drasticamente. Por isso, vai defender, amanhã, a utilização de mais dois auxiliares nos jogos de futebol. "É possível que a proposta seja aceita, mas temos de ver se é viável.""

Nas últimas semanas, o dirigente tem feito uma espécie de cruzada a favor da introdução de um árbitro assistente atrás de cada gol. Sempre que pode toca no assunto. Foi o que fez ontem, em Johannesburgo, durante a Soccerex, feira de negócios sobre futebol. "O árbitro tem apenas dois olhos e nem sempre consegue ver tudo"", disse. "Se tivéssemos um assistente atrás do gol, certamente ele teria visto a irregularidade (de Henry). Temos de agir para minimizar os erros já na Copa do Mundo de 2010.""

Caso a Fifa aprove a medida amanhã, a International Board, órgão responsável pelas regras do futebol, terá até março para oficializá-la. Do contrário, não haverá tempo hábil para que haja mais dois assistentes na Copa. Mas prazos não são problema para Blatter, que defende a medida como forma de esvaziar outras tentativas de controlar a arbitragem, como o uso da tecnologia para tirar dúvidas ou a adoção da bola inteligente - um chip colocado na bola permite saber se ela entrou ou não no gol em lances de difícil decisão. Os dois assistentes, afinal, são seres humanos e não artifícios eletrônicos.

O Comitê Executivo também vai discutir amanhã temas como o escândalo de apostas ilegais no futebol mundial e o fim da realização da repescagem nas Eliminatórias.

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