Irmão de Karzai teria recebido dinheiro da CIA

Pagamentos a envolvido com narcotráfico causam polêmica

Dexter Filkins e Mark Mazzetti, THE NEW YORK TIMES, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2009 | 00h00

Ahmed Wali Karzai, irmão do presidente afegão, Hamid Karzai, e suspeito de envolvimento com o tráfico de ópio, vem sendo pago regularmente pela CIA há oito anos, afirmaram ao New York Times autoridades americanas. Os laços financeiros e de trabalho entre a CIA e Ahmed levantam dúvidas quanto à estratégia de guerra dos EUA no Afeganistão.

Para críticos, os pagamentos complicam a já tensa relação dos EUA com o presidente afegão, que luta para se tornar mais popular entre os afegãos e é visto pelo Taleban como um joguete dos americanos. As práticas da CIA sugerem também que os EUA não estão fazendo tudo o que podem para acabar com o lucrativo tráfico de drogas no Afeganistão, importante fonte de receita do Taleban.

Para muitos na Casa Branca, a confiança depositada em Ahmed prejudica as iniciativas para se criar um governo central eficaz, que consiga manter a lei e a ordem. "Se vamos adotar uma estratégia centralizadora para o governo afegão, mas pessoas entendem que estamos apoiando bandidos, então estamos nos prejudicando", disse o general Mike Flynn, oficial da inteligência militar americana.

Aos jornalistas, Ahmed disse que coopera com as autoridades civis e militares dos EUA, mas negou envolvido com drogas e os pagamentos da CIA. Mas, de acordo com autoridades americanas, a relação entre Ahmed e a CIA é ampla. Ele tem auxiliado a CIA a operar um grupo paramilitar, a Força de Choque de Kandahar, usada para ataques-surpresa contra os insurgentes.

Ahmed também ajudaria a CIA a se comunicar e, às vezes, a se encontrar com comandantes do Taleban. Seu papel de intermediário entre americanos e Taleban é considerado valioso pelos que defendem a parceria, principalmente agora que o governo de Barack Obama deseja encorajar os líderes taleban a mudar de posição.

Alguns membros do governo americano, porém, defendem a aliança e dizem que o envolvido de Ahmed com o tráfico não é comprovado. "Não existe prova do envolvimento, nada que possa ser apresentado num tribunal", disse um funcionário que pediu anonimato. "E não se pode ignorar que o governo afegão tem colaborado com os esforços americanos no combate ao terrorismo."

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