Irmãs pedem extradição do pai para ser julgado pela morte da mãe em Londres

Segundo polícia britânica, Zafar Iqbal, que teria fugido para o Paquistão, é o principal suspeito de ter matado a mulher.

Poonam Taneja, BBC

22 Junho 2011 | 12h03

Duas irmãs britânicas que dizem ter testemunhado o assassinato da própria mãe, em Londres, estão fazendo um apelo às autoridades no Paquistão para que seu pai seja extraditado e julgado pelo crime.

A polícia acredita que Zafar Iqbal tenha fugido da Grã-Bretanha em 2001, depois que sua esposa, Naziat Kahn, foi encontrada enforcada em casa aos 38 anos.

Iqbal continua sendo o principal suspeito do assassinato, que teria sido um "crime de honra", depois de Kahn pedir o divórcio.

Duas filhas do casal dizem que viram a mãe ser estrangulada pelo pai.

"As nossas vidas foram viradas de cabeça para baixo. Não temos uma mãe porque ele a tirou de nós", disse uma das filhas, que não quis ser identificada, hoje com 20 anos.

"Eu não entendo como ele pode ter pensado que suas ações não teriam consequências."

Ela diz também que, em determinado momento, o pai ameaçou matar as duas filhas que testemunharam o crime.

"Isso nunca deveria ter acontecido. Minha mãe não merecia isso."

'Não há honra em matar'

Naziat Khan estava casada com Zafar Iqbal havia 16 anos. O casal tinha quatro filhos.

No entanto, segundo a família dela, Khan era constantemente espancada pelo marido.

Eles dizem que no fim ela decidiu pedir um divórcio e que, apesar de Iqbal ter saído de casa, ele continuou a importuná-la.

Parentes e policiais acreditam que ela pode ter sido morta em nome da "honra", já que, em algumas comunidades tradicionais do sul da Ásia, o divórcio é visto como algo que suja o nome da família.

"Não há honra alguma em matar alguém. Eu acho absurdo pensar que haja. Você não pode tirar a vida das pessoas. Não cabe a você decidir isso. Não há justificativa alguma", disse a filha mais velha do casal.

Procurado

Por muitos anos, Zafar Iqbal esteve na lista de procurados da Scotland Yard, a polícia metropolitana de Londres. Entretanto, como não há um acordo formal de extradição com o Paquistão, os policiais dizem não poder trazê-lo à Grã-Bretanha para ser julgado.

"Temos permissão para indiciá-lo caso ele retorne ao país. Há uma ordem de prisão internacional contra ele", disse o inspetor Dave Manning, que liderou as investigações no caso.

"A polícia metropolitana de Londres está comprometida a trabalhar com a família para garantir que eles recebam algum tipo de justiça."

Há um precedente para que suspeitos de crimes sejam extraditados do Paquistão para a Grã-Bretanha.

Em 2005, os assassinos do adolescente escocês Kriss Donald foram extraditados do Paquistão após extensivo lobby político.

O ex-parlamentar Mohammad Sarwar liderou uma campanha de dois anos para conseguir um tratado de extradição pontual.

"É necessário haver determinação e apoio do Alto Comissariado Britânico em Islamabad, do governo britânico e das autoridades no Paquistão. É uma tarefa difícil, mas não impossível", disse Sarwar.

A filha de Naziat Khan disse ter escrito para autoridades britânicas e paquistanesas pedindo a extradição do pai.

"Eu quero justiça para a minha mãe. Ela não pode se defender, então temos de fazê-lo." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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