Islâmicos fazem passeata em apoio a Mursi antes de referendo no Egito

Agitando bandeiras, seguidores do presidente egípcio, Mohamed Mursi, realizaram nesta sexta-feira seu último comício antes do decisivo referendo de sábado sobre uma nova Constituição, com a qual o líder islâmico espera encerrar uma violenta crise política que já dura semanas.

YASMINE SALEH, Reuters

14 Dezembro 2012 | 11h09

Pelo menos oito pessoas morreram e centenas ficaram feridas em confrontos no Cairo e em outras cidades em consequência do decreto presidencial pelo qual Mursi se concedeu amplos poderes provisórios, sob o argumento de acelerar a transição do país para a democracia.

Um influente político da oposição alertou que a violência pode prosseguir nos dois próximos sábados, quando os egípcios vão às urnas aprovar ou rejeitar uma Constituição escrita por uma assembleia dominada por políticos islâmicos.

A oposição laica e liberal diz que o projeto levado a votação não reflete as aspirações dos 83 milhões de egípcios, e restringe os direitos de minorias, inclusive os cristãos, que compõem 10 por cento da população.

O referendo será realizado em dois sábados porque não há juízes suficientes para monitorar todas as seções eleitorais. A aprovação da nova Carta é uma pré-condição para a realização de novas eleições gerais no começo de 2013 -- fato que muitos esperam propiciar a estabilidade para o mais populoso país árabe.

Fazendo campanha pelo "sim" no referendo, grupos islâmicos que haviam sido cruciais na eleição de Mursi, em junho, se reuniram em uma mesquita próxima ao palácio presidencial, no Cairo.

A maioria dos participantes do comício era de homens barbados. Alguns trouxeram seus filhos e suas mulheres, cobertas por véus.

"Vim dizer ‘sim' à legitimidade do presidente Mursi e à lei islâmica da sharia", disse o clérigo Mohamed Murad, 37 anos.

Ativistas da oposição também começaram a se concentrar para um protesto contra a nova Constituição em frente à sede da presidência. O líder oposicionista Mohamed El Baradei, ganhador do Nobel da Paz, pediu a Mursi que cancele o referendo "antes que seja tarde demais".

Inicialmente, a oposição decidiu boicotar o referendo, mas depois recuou e passou a fazer campanha pelo "não" - desde que haja garantias de lisura na votação.

Há grande expectativa de que a nova Constituição seja aprovada, já que a Irmandade Muçulmana, grupo mais bem organizado do país, venceu todas as votações realizadas no país desde a rebelião popular que derrubou o ditador Hosni Mubarak, no começo de 2011. Muitos egípcios, cansados das turbulências dos últimos meses, também podem votar a favor, simplesmente na esperança de que as coisas se acalmem.

A votação do sábado se restringirá ao Cairo e outras grandes cidades. Os resultados oficiais só serão anunciados após o sábado seguinte, mas é provável que após o primeiro dia já surjam indicações sobre as tendências.

O Exército se mobilizou para garantir a ordem, com cerca de 120 mil soldados e 6.000 tanques e blindados.

(Reportagem adicional de Edmund Blair e Marwa Awad)

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