Isolada, Marta reconhece derrota e cobra compromissos de Kassab

Diferentemente do que aconteceu há quatro anos, quando perdeu a reeleição na prefeitura de São Paulo para José Serra (PSDB), a petista Marta Suplicy admitiu neste domingo a derrota na disputa com Gilberto Kassab (DEM) com apenas um ministro ao seu lado: Luiz Barreto, do Turismo, que herdou o seu cargo em Brasília. A ex-prefeita afirmou que os paulistanos deverão cobrar Kassab, reeleito com mais de 60 por cento dos votos válidos, tendo ao lado o candidato a vice, Aldo Rebelo (PCdoB), além de deputados estaduais e vereadores. Na disputa anterior, Marta admitiu a derrota ao lado de ministros importantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como José Dirceu (Casa Civil), Antônio Palocci (Fazenda) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça). "Acabei de telefonar ao prefeito Kassab para parabenizá-lo e quero agora agradecer aos milhões de eleitores que tiveram confiança e votaram na gente", disse Marta a jornalistas diante de sua casa em um bairro nobre da zona central de São Paulo. "Cabe ao povo de São Paulo fiscalizar os compromissos assumidos pelo novo prefeito", afirmou ela, que saiu sem responder a perguntas. Desde o início da semana, a campanha de Marta notou o crescente isolamento atribuído principalmente a uma propaganda da candidata que entrava na vida pessoal de Kassab. Ao votar neste domingo, nem o vice acompanhou a petista à zona eleitoral. Mais cedo, em evento com jornalistas, os únicos petistas com cargos no Executivo presentes eram prefeitos de cidades da região metropolitana de São Paulo. Um dos coordenadores da campanha da petista, o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) afirmou que Marta "foi resistente a uma campanha engrenada pela máquina pública". Ele era o único deputado federal do PT presente na casa da petista até o início da noite de domingo. Outro interlocutor da ex-prefeita disse, sob condição de anonimato, que a petista se sentiu isolada e que isso poderia ter acontecido por conta de lideranças do partido interessadas em concorrer ao governo do Estado em 2010. Marta, antes de concorrer à prefeitura demonstrou disposição para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. (Reportagem de Maurício Savarese; edição de Alexandre Caverni)

MAURÍCIO SAVARESE, REUTERS

26 de outubro de 2008 | 20h00

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