Israel aceitaria acordo tácito de trégua na Faixa de Gaza

Israel deve aceitar uma tréguainformal com os militantes palestinos da Faixa de Gaza se foremsuspensos o lançamento de foguetes pela fronteira e ocontrabando de armas para dentro do território, afirmou naquinta-feira uma importante autoridade israelense. Citando um membro do primeiro escalão do governo egípcionão identificado, a Mena, agência de notícias oficial do Egito,disse na quarta-feira que as facções palestinas reunidas noCairo haviam aceitado uma proposta do governo daquele país paraacatar um cessar-fogo a começar da Faixa de Gaza, áreacontrolada pelo Hamas. No entanto, várias das facções mostraram-se pouco dispostasa adotar uma trégua e algumas disseram reservar-se o direito deretaliar no caso de ataques israelenses. Um membro do gabinete de segurança do governo de Israel quenão quis ter sua identidade revelada porque a proposta de pazainda não havia sido concluída disse que o país aguarda paraver os resultados da mediação egípcia. "Não será assinado um acordo entre Israel e o Hamas,obviamente", afirmou a autoridade. "Mas nada impede que os doislados assumam compromissos de forma independente com o Egito.Isso, na prática, seria um acordo tácito de trégua." Israel, segundo afirmou, "quase certamente aceitaria" umcessar-fogo se tal acordo "atender a nossas exigências básicas-- o fim dos atos de violência vindos da Faixa de Gaza e docontrabando de armas que alimenta aqueles atos." A autoridade disse que suas opiniões pareciam sercompartilhadas por membros fundamentais do governo doprimeiro-ministro Ehud Olmert e que esperava ver "um avanço arespeito desse assunto dentro de alguns dias". Algumas outras autoridades israelenses, entre as quaiscomandantes de alta patente das Forças Armadas, mostraram-sepreocupados com a possibilidade de uma trégua permitir ao Hamase a outras facções recuperarem-se de reveses sofridosrecentemente. A Jihad Islâmica, que costuma lançar foguetes contraIsrael, disse que não poderia aceitar oficialmente uma tréguaque não se aplicasse também à situação da Cisjordânia ocupada. "No entanto, não seremos os primeiros a violá-la ou aminá-la. E daremos uma chance para a reabertura dos postos defronteira (da Faixa de Gaza) e para a minoração dos sofrimentosde nosso povo", disse em um comunicado Zeyad al-Nakhala, vicedo chefe exilado da Jihad Islâmica, Ramadan Shallah. Segundo a Mena, a proposta do governo egípcio integra umplano mais amplo que levará, em determinado ponto, aolevantamento das restrições impostas sobre a Faixa de Gaza porIsrael, restrições essas tornadas mais rígidas com a ajuda doEgito depois do Hamas ter assumido o controle daqueleterritório. Militantes da Jihad Islâmica presentes na Faixa de Gazalançaram vários foguetes contra Israel, ataques esses queseriam uma resposta às operações militares israelenses noterritório. Israel, que retirou seus soldados e colonos da Faixa deGaza em 2005, mas que ainda controla as fronteiras doterritório, informa que não teria motivo para lançar ataquescontra o enclave costeiro se os palestinos suspendessem olançamento de foguetes. (Escrito por Jeffrey Heller em Jerusalém; Reportagemadicional de Nidal al-Mughrabi em Gaza e Aziz El-Kaissouni noCairo)

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