Israel anuncia negociações de paz com a Síria

Damasco e Jerusalém declaram a intenção de dialogar abertamente e "sem prejuízos" sob a mediação turca

Da BBC Brasil, BBC

21 de maio de 2008 | 06h30

Israel e Síria afirmaram nesta quarta-feira, 21, que mantêm negociações indiretas de paz mediadas pela Turquia. Em comunicados divulgados quase simultaneamente, os dois governos disseram ter "declarado sua intenção de conduzir essas conversas de boa-fé e com a mente aberta", com o objetivo de alcançar uma "paz abrangente".  Veja também:  Entenda a disputa sobre as Colinas de Golan Segundo a BBC, o comunicado é a primeira confirmação oficial dos relatos nos últimos meses sobre um possível diálogo de paz. As duas nações agradeceram à Turquia pela ajuda, país de maioria muçulmana tem boas relações tanto com Israel quanto com a Síria. Essa é a primeira confirmação oficial de contatos entre os dois inimigos de longa data. Em abril, houve relatos de que a Turquia estaria mediando negociações entre os dois lados que, tecnicamente, ainda estão em guerra por conta da disputa sobre as Colinas do Golan, ocupadas por Israel na guerra de 1967. Um ministro do governo sírio disse que Olmert havia oferecido devolver o local em troca da paz.  O Ministério das Relações Exteriores turco afirmou, no início do mês, que pretendia aproximar os dois lados. Segundo um funcionário do governo israelense, o chefe-de-gabinete do primeiro-ministro Ehud Olmert está na Turquia desde segunda-feira. Falando sob condição de anonimato, confirmou que funcionários sírios também estão no país. Vários parlamentares israelenses disseram que iriam acelerar a aprovação de um projeto de lei exigindo que uma decisão sobre a retirada das Colinas do Golan seja submetida a um referendo. O Conselho dos Moradores de Golan, um comitê que representa os ocupantes israelenses na área, afirmou que o passo de Olmert pode "colocar a sobrevivência do Estado de Israel em risco". O negociador palestino, Saeb Erekat, disse que os palestinos receberam bem a última notícia. "Nós queremos alcançar uma paz abrangente e portanto apoiamos as conversas entre Israel e Síria". Stuart Tuttle, porta-voz da embaixada dos EUA em Israel, foi mais contido em seus comentários. Segundo ele, as novas conversas com a Síria são "decisão de Israel". Colinas de Golan  Israel e Síria são inimigos e as tentativas de alcançar a paz fracassaram várias vezes no passado, a última delas em 2000. Houve três guerras entre ambos, além de combates no Líbano. A paz com a Síria exigiria de Israel a retirada das Colinas de Golan, uma área estratégica capturada em 1967, na Guerra dos Seis Dias, e depois anexada. Hoje, as colinas são morada para 18 mil israelenses e quase o mesmo número de árabes drusos - estes se consideram cidadãos sírios. As forças dos dois países são separadas por capacetes azuis das Nações Unidas. Os israelenses em geral consideram o Golan uma importante zona-tampão contra um eventual ataque da Síria. Com seus vinhedos e pequenas pousadas, a região também é uma atração popular entre os turistas israelenses. Poucas semanas atrás, Olmert passou um feriado na região. Israel, por sua vez, quer que a Síria - que oferece refúgio para grupos militantes como o Hamas e a Jihad Islâmica e apóia o grupo libanês xiita Hezbollah - se distancie dessas organizações e também do Irã. Essas condições, porém, parecem ter sido retiradas ou ao menos flexibilizadas no momento. Enfraquecido por uma investigação de corrupção, o primeiro-ministro israelense pode ter dificuldades com a população de seu país se realizar uma retirada de Golan. Essa negociação também poderia tirar o foco da novamente relançada iniciativa de paz entre israelenses e palestinos, prevista para terminar até o fim do ano - ainda que as negociações estejam em ritmo lento. Em setembro, aeronaves israelenses lançaram ataques à Síria tendo como alvo uma instalação que, segundo os Estados Unidos, era um reator nuclear não concluído e construído pela Coréia do Norte. Em fevereiro, um alto líder do Hezbollah foi assassinado na capital síria, Damasco, em um ataque amplamente atribuído às forças israelenses. (Com BBC Brasil e agências internacionais) Matéria atualizada às 12h.

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