Israel congelará assentamentos na Cisjordânia

Palestinos dizem que medida não é suficiente, pois construções prosseguirão em Jerusalém Oriental

AP e Reuters, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

Israel anunciou ontem que congelou por dez meses a ampliação de assentamentos na Cisjordânia para estimular a retomada do processo de paz na região. Os palestinos, no entanto, disseram que a medida é insuficiente porque não inclui a interrupção de construções em Jerusalém Oriental, área palestina ocupada pelos israelenses desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Em pronunciamento pela TV, o primeiro-ministro israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu, disse que cabe agora aos palestinos responder com um "gesto à altura". "Israel hoje deu um largo passo na direção da paz. É hora de os palestinos fazerem o mesmo", afirmou.

No entanto, Nabil Abu Rudeinah, porta-voz da Autoridade Palestina, disse que "qualquer retorno às negociações deve ter como base o completo congelamento dos assentamentos, acima de tudo na parte leste de Jerusalém".

Netanyahu espera agora uma redução da pressão internacional e o apoio explícito da Casa Branca, que vinha cobrando limites à expansão dos assentamentos. O premiê transferiu ainda para os palestinos o ônus da retomada do processo de paz sem precondições, conforme exigem os EUA.

Minutos depois do pronunciamento de Netanyahu, a medida foi elogiada pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e pelo representante especial da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell.

"O anúncio ajuda a encontrarmos uma saída que ponha fim ao conflito e concilie o objetivo palestino de ser um Estado independente com base nas fronteiras de 1967 e o objetivo do Estado judeu de ter fronteiras seguras e reconhecidas", afirmou Hillary.

TROCA

Israel parece próximo de um acordo para troca do soldado Gilad Shalit por prisioneiros palestinos, entre eles Marwan Barghouti, um dos poucos que circulam à vontade pelos dois grupos palestinos: o Hamas e o Fatah. Barghouti é considerado o único capaz de substituir Mahmoud Abbas na presidência da Autoridade Palestina.

Apesar de ter negado a troca, na segunda-feira, os boatos voltaram a circular ontem. Em entrevista publicada pelo jornal italiano Corriere della Sera, Barghouti disse estar confiante em sua libertação e afirmou que pretende se candidatar à presidência palestina.

O líder palestino disse ainda que o sequestro de Shalit fez mais pela causa palestina do que todas as negociações fizeram até agora.

EXPANSÃO

500 mil

israelenses vivem em assentamentos

100 assentamentos

já foram construídos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental

3 mil

casas em construção na Cisjordânia serão concluídas

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