Israel e Hamas aceitam trocar prisioneiros para libertar Shalit

Israel e os líderes do grupo islâmico Hamas concordaram em trocar centenas de prisioneiros palestinos pelo soldado israelense capturado Gilad Shalit, resolvendo uma das questões mais delicadas e intratáveis entre eles.

REUTERS

11 Outubro 2011 | 17h41

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou em Jerusalém que o acordo foi "finalmente resumido e os dois lados assinaram." Na Faixa de Gaza, o Hamas disse que restavam apenas ajustes técnicos para a troca nos próximos dias.

Em mensagem televisionada, o líder do grupo islâmico, Khaled Meshaal, confirmou o acordo e o classificou como uma "realização nacional" para palestinos. Segundo ele, os prisioneiros a serem libertados incluem 27 palestinas mantidas por Israel.

O pacto, definido depois de muitas madrugadas em vão em anos de esforços secretos para libertar Shalit desde que ele foi capturado em 2006, não tem impacto direto nas negociações de paz do Oriente Médio. Mas deve virtualmente melhorar o clima para a retomada das conversas que estão paradas há mais de um ano.

Uma fonte envolvida nas negociações disse que o pacto havia sido mediado pelo Egito, desempenhando um papel que deve fortalecer as relações de Israel com o Cairo, que estão complicadas desde a queda do líder egípcio Hosni Mubarak na revolução egípcia deste ano.

Abu Ubeida, porta-voz do braço armado do Hamas, disse à Reuters que o acordo em princípio estava selado. "Estamos no processo de completar os ajustes técnicos para completar o acordo dentro de alguns dias", afirmou.

O acordo pede a libertação de 1.000 palestinos em duas etapas, sendo inicialmente 450 a serem trocados por Shalit, e os 550 remanescentes sendo liberados depois.

A troca deve trazer alívio para os dois lados. A campanha da família de Shalit o transformou em causa célebre em Israel e a libertação dele é um teste para o governo de Netanyahu. Os palestinos há tempos clamam pela libertação de centenas de pessoas que eles consideram prisioneiros políticos.

Uma rede de televisão israelense citou Netanyahu contando para os pais de Shalit que, desde que ele assumiu o governo, "estava esperando pela chance de fazer esta ligação" e informá-los do acordo.

A esposa de Marwan Barghouti, ativista carismático visto como futuro líder palestino, disse à Reuters na Cisjordânia que ela estava ansiosamente esperando a informação de que ele seria incluído na troca de prisioneiros. Em Gaza, parentes dos homens presos também aguardavam para ver os nomes na lista.

Shalit foi capturado por militantes quando tinha 19 anos e havia iniciado seu período de três anos no Exército quase um ano antes.

(Reportagem de Nidal al Mughrabi, Allyn Fisher-Ilan, Ali Sawafta, Jeffrey Heller)

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