Itália anula pedido de prisão de acusado na Operação Condor

Uruguaio é um dos 140 com captura pedida em dezembro; lista inclui 11 brasileiros.

Valquiria Rey, BBC

18 de janeiro de 2008 | 19h05

O Tribunal de Apelações de Roma anulou na quinta-feira o pedido de prisão do uruguaio Néstor Jorge Fernández Troccoli, acusado da morte de quatro cidadãos italianos durante a Operação Condor.Mas Troccoli - um ex-oficial do Serviço de Inteligência da Marinha Uruguaia - deve permanecer detido enquanto juízes analisam um pedido de emitido pela justiça uruguaia.O uruguaio, de 60 anos, foi preso no dia 24 de dezembro do ano passado na cidade de Salerno, no sul da Itália, onde vivia desde 4 de outubro. Na ocasião, a juíza Luisanna Figliolia pediu a prisão dele e de outros 139 policiais e militares de sete países da América Latina - Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Peru -, entre eles 11 brasileiros.PolêmicaA Operação Condor foi uma ação de regimes militares de países da América do Sul nos anos 70 e 80 de troca de presos políticos e de informações sobre atividades de opositores. O procurador Giancarlo Capaldo criticou a anulação da prisão de Troccoli, cujos motivos só devem ser conhecidos nos próximos dias."Acredito que o Tribunal errou ao emitir tal decisão. Na próxima semana, devemos entrar com recurso na Suprema Corte", disse Capaldo, em entrevista à BBC Brasil.Segundo Capaldo, que investiga desde 1999 a tortura e o desaparecimento 25 cidadãos italianos na Operação Condor, a decisão sobre Troccoli não altera a ordem de prisão dos demais 139.Apesar de também desconhecer os motivos da anulação da ordem de prisão, o advogado de Troccoli, Adolfo Scarano, festejou a decisão."Meu cliente é inocente, não tem conexão direta com os desaparecimentos. Ele não fugiu do Uruguai. Mas prefere estar aqui, para ter um processo justo. No Uruguai, as decisões são sempre ideológicas", afirmou.Brasileiros"Troccoli é também cidadão italiano. Não acredito que ele seja extraditado ao Uruguai", acrescentou Scarano, que diz acreditar que Troccoli será libertado em cerca de um mês.De acordo com ele, é difícil prever o que poderá ocorrer com os demais acusados caso sejam extraditados para a Itália. "A decisão da justiça italiana comprovou que não existem provas suficientes contra o meu cliente. Mas os demais precisarão comprovar um a um que são inocentes, ou não, das acusações."Os 11 brasileiros na ordem de prisão são suspeitos de participação no desaparecimento de dois cidadãos italianos vistos pela última vez no Brasil em 1980: Horacio Domingo Campiglia e Lorenza Ismael Viñas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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