Itália planeja novas e duras medidas contra agitadores

O ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni, alvo de críticas por não conseguir evitar os piores distúrbios em Roma em anos, vai propor reviver uma lei dos sangrentos "anos de chumbo" do país para combater protestos violentos.

BARRY MOODY, REUTERS

18 de outubro de 2011 | 11h33

Maroni deve se dirigir ao Parlamento ainda nesta terça-feira para fornecer detalhes de sua resposta aos distúrbios de sábado, que provocaram muitas críticas sobre por que a Itália foi o único país onde um "dia de fúria" global contra o sistema financeiro se tornou violento.

Maroni disse que concordava com o político da oposição Antonio Di Pietro, um ex-magistrado que sugeriu reviver uma lei dos anos 1970, quando a Itália era assolada por protestos de esquerda e pela violência da guerrilha urbana que quase desestabilizaram o país.

A lei permitia que a polícia usasse armas de fogo, quando necessário, e proibia o uso de capacetes ou máscaras durante protestos. Também liberava a detenção preventiva de manifestantes suspeitos de planejar atos violentos.

Outras medidas que estão sendo consideradas incluem a extensão das leis criadas para conter torcedores violentos de futebol a demonstrações públicas e o uso de tinta colorida em mangueiras de alta pressão contra manifestantes, assim como julgamentos acelerados para detidos. O sistema legal da Itália é conhecido por sua lentidão e ineficiência.

Críticos de Maroni, inclusive alguns juízes, disseram que o que era necessário era a aplicação apropriada de leis existentes e um impulso grande aos recursos da polícia em vez de novas medidas.

As propostas são uma reação ao choque e frustração dos italianos provocados quando algumas centenas de manifestantes do chamado "bloco negro" invadiram um protesto de milhares de manifestantes pacíficos contra a crise econômica da Itália, apesar de advertências de que provavelmente haveria violência.

Os manifestantes altamente organizados, mascarados e usando capacetes eram mais numerosos do que os policiais. Apenas doze pessoas foram presas durante os distúrbios.

Policiais colocaram comentários em um fórum da internet reclamando sobre baixos salários e dizendo que relutaram em conter os manifestantes por medo de serem acusados de força excessiva, como ocorreu há uma década quando um manifestantes foi morto durante distúrbios em um encontro do G8 em Gênova.

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