Itália prende 9 suspeitos da máfia do futebol

Entre eles está Giuseppe Postiglione, presidente de clube da 3.ª Divisão

BERLIM, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2009 | 00h00

As denúncias feitas pelas autoridades policiais alemãs e pela Uefa, na sexta-feira, de que cerca de 200 partidas de futebol estavam sob suspeita de terem resultados manipulados em vários países da Europa, renderam ontem novos desdobramentos. Na Itália, foram detidas nove pessoas por suposto envolvimento em uma rede de apostas ilegais. Um deles é Giuseppe Postiglione, presidente do Potenza (clube da 3ª Divisão). Outras 20 pessoas estão sendo investigadas. Das partidas sob suspeita, uma é da 2ª Divisão e sete são da 3ª, todas disputadas nas temporadas 2007/2008 e 2008/2009.

Também ontem, o jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, de Munique, publicou uma lista parcial dos jogos que teriam tido resultados arranjados pela máfia em vários países da Europa. Aparecem uma partida da 1ª Divisão turca, outra da elite do futebol da Croácia e várias de divisões inferiores no país dos Bálcãs. Na Turquia, o jogo sob suspeita é Bursaspor 2 x 0 Ankaraspor, em 4 de abril. A denúncia é de que os jogadores foram subornados para forjar o placar. Os apostadores teriam lucrado 18.500 (cerca de R$ 47 mil) com a fraude.

Outro jogo suspeito citado na reportagem é o amistoso entre o alemão SSV Ulm 1846 e o turco Fenerbahçe, disputado em julho na Turquia e vencido pelos anfitriões por 5 a 0. Os investigadores afirmam que "alguns jogadores do SSV Ulm, que não foram identificados", receberam mais de 10 mil (quase R$ 26 mil) cada um para fazer corpo mole na partida.

O goleiro do Ulm, Holger Betz, concordou que aconteceram alguns fatos estranhos naquele amistoso, mas afirmou não acreditar na possibilidade de manipulação. "Depois que sofremos o primeiro gol, o time entrou em pane. Poderíamos ter perdido por uma margem ainda maior", disse Betz. Opinião semelhante tem Markus Loesch, treinador da equipe que disputa a Liga Süd - liga regional abaixo da 3ª Divisão alemã. "Sinceramente, não vejo como isso possa ter acontecido", declarou Loesch ao diário Bild.

Na Croácia, a suspeita recai sobre o jogo entre NK Zadar e Hadjuk Split, em 26 de abril. Os jogadores do Zadar teriam recebido 30 mil (R$ 77 mil) para que sua equipe perdesse por uma diferença grande. Como a partida terminou com a vitória do Split por 3 a 0, a máfia dos apostadores acabou não lucrando com a fraude.

Segundo a reportagem publicada pelo Sueddeutsche, os personagens principais por trás do escândalo são o croata Ante Sapina e um turco identificado como Deniz C.. Sapina é velho conhecido das autoridades: protagonizou escândalo há quatro anos que terminou com a prisão do ex-árbitro Robert Hoyzer.

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