Itália vota projeto de lei para impedir eutanásia de Eluana

Italiana entra no terceiro dia sem alimentação e hidratação, em processo de morte assistida a pedido da família

Redação com agências

09 de fevereiro de 2009 | 08h42

Começa a ser votado nesta segunda-feira, 9, o projeto de lei que o premiê italiano, Silvio Berlusconi, apresentou para evitar a morte de Eluana Englaro, a italiana em estado vegetativo a quem foi suspensa a alimentação, começa hoje seu processo de aprovação que poderia concluir na próxima quarta-feira. Veja tambémEntenda o caso Eluana EnglaroOpine: você concorda? O Executivo de Silvio Berlusconi espera aprovar em tempo recorde este projeto de lei antes que "seja demais tarde" e os médicos declarem que as condições físicas de Englaro, de 38 anos e em estado vegetativo desde 1992, são irreversíveis após a suspensão da alimentação. A corrida contra-relógio começará hoje quando às 19h locais (16h de Brasília) o projeto de lei for apresentado no Senado, em uma sessão que pode durar toda a noite. Após a votação no Senado, o texto passará à Câmara dos Deputados na sessão de amanhã, às 18h locais (15h de Brasília). Mesmo se o projeto de lei passar pelas duas Câmaras, porém, ele ainda precisará da assinatura do presidente da República, Giorgio Napolitano, que já se manifestou contrário à proposta de lei.Redução de alimentaçãoEluana Englaro entra hoje no terceiro dia seguido sem alimentação e hidratação. A família quer ajudar a mulher, em coma desde um acidente de trânsito em 1992, a morrer. O pai de Eluana, Beppino Engarlo, disse em entrevista que "não fez mais do que dar voz a Eluana". Beppino questinou a Igreja Católica, que tenta se impor em um caso que ele "viveu com mais dor do que qualquer um outro". O neurologista Carlo Alberto Defanti, quem cuida de Eluana, de 38 anos, desde que esta sofreu o acidente de trânsito que a deixou em coma, em 1992, disse à agência de notícias italiana Ansa que, "por enquanto, as condições clínicas são estáveis", e confirmou que continua "a suspensão total da nutrição artificial".Beppino afirma que a decisão de interrmoper a alimentação e hidratação de sua filha seria por vontade da própria. Ele lembra o caso de uma amiga de Eluana que sofreu um acidente e ficou em estado semelhante. Eluana, ao tomar conhecimento da condição da amiga, teria afirmado que não gostaria de permanecer viva se um dia ficasse numa situação dessas.A equipe de médicos que se ofereceu como voluntária para ajudar no procedimento de Eluana, internada desde 2 de fevereiro na clínica La Quiete, em Udine, no nordeste da Itália, suspendeu no sábado totalmente a alimentação e hidratação por sonda à italiana.O protocolo médico consiste agora em administrar apenas sedativos e antiepilépticos, enquanto se espera a morte por desidratação, que, segundo os especialistas, pode ocorrer em cerca de 15 dias.

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