Clayton Souza/Estadão
Clayton Souza/Estadão

Italiana Enel questiona operação da Eletropaulo

Distribuidora de energia paulista, que é disputada por grupo italiano e espanhol, anunciou na semana passada que vai fazer emissão de ações

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2018 | 05h00

A italiana Enel – que trava uma disputa acirrada com a Neoenergia pela compra da Eletropaulo – veio a público ontem pedir que a distribuidora paulista suspenda um processo de oferta primária de ações (“follow on”), lançado semana passada para capitalizar a empresa. O pedido, feito por meio de carta aberta, ocorreu um dia depois de a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) exigir explicações da concessionária de energia de São Paulo sobre a continuidade do processo. O órgão regulador quer entender qual o sentido econômico de manter a operação num momento de forte competição pelo controle da empresa.

Na carta publicada ontem, a Enel propõe o cancelamento da oferta primária de ações da Eletropaulo e se compromete a fazer uma capitalização na empresa, de até R$ 1,5 bilhão, caso a venda da concessionária não ocorra até 18 de maio. A explicação para essa proposta é que a emissão de ações, neste momento, altera muito a competição pela empresa, afirmam fontes ligadas à disputa. “No entendimento da Enel, o ‘follow on’ não é feito, neste cenário de competição acirrada entre grandes grupos de energia, no momento mais adequado”, disse a italiana.

Essa operação vinha sendo desenhada desde janeiro, mas foi adiada pela Eletropaulo e retomada semana passada com o objetivo de captar entre R$ 1,3 bilhão e R$ 2 bilhões. Em fato relevante, a Eletropaulo disse que responderá, até hoje, aos questionamentos da CVM e todas as cartas encaminhadas ao conselho de administração e ao Tribunal de Contas da União (TCU), pela Enel.

Desde o fim de março a empresa vem sendo alvo de uma forte disputa pela compra de seu controle. A primeira proposta, de R$ 19 por ação, foi feita pela Enel. No entanto, a mineira Energisa, que controla nove distribuidoras no País, elevou o patamar das negociações ao fazer uma oferta voluntária – pouco usual no Brasil. O preço, de R$ 19,38, foi considerado baixo, mas mudou as negociações.

Após o movimento da empresa nacional, a Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola, fez sua primeira oferta, de R$ 25,51 por ação, superada no mesmo dia por nova investida da Enel, de R$ 28. Na sexta-feira, a Neoenergia fez seu contra-ataque e ofereceu R$ 29,4 por ação. Nesse processo, a Energisa ficou pelo meio do caminho e deixou a briga pela maior distribuidora da América Latina. Atualmente a Enel controla três concessionárias no Rio de Janeiro, Ceará e Goiás. A Neoenergia detém a concessão de quatro (Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo).A Eletropaulo, cujos principais sócios são a americana AES e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tem 18 milhões de clientes em 24 municípios de São Paulo e fatura R$ 21 bilhões. 

Para especialistas, os atrativos da distribuidora estão na área atendida com elevado consumo e inadimplência baixa. Além disso, a base de ativos (usada na revisão tarifária) é baixa por causa da falta de investimentos. Isso significa que quem comprar e fizer novos aportes, vai elevar a tarifa, considerada uma das menores do País, dizem analistas.

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