Italianos dizem 'não' a energia nuclear em referendo

Os italianos pareciam prontos na segunda-feira a banir a energia nuclear durante décadas em um referendo fortemente influenciado pelo desastre de Fukushima, mas que também foi um sonoro voto político contra o primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

BARRY MOODY, REUTERS

13 Junho 2011 | 14h37

Os números oficiais indicavam um resultado superando facilmente o quórum de 50 por cento necessário para validar quatro referendos, incluindo um sobre o banimento à energia nuclear.

O referendo anula uma lei aprovada no ano passado que reiniciava o programa nuclear da Itália, que havia sido interrompido em 1987 por outro referendo que se seguiu ao desastre de Chernobyl.

Ciente da reação proveniente do acidente de Fukushima, o governo recentemente suspendera o programa nuclear numa tentativa de enfraquecer o referendo.

A votação, entretanto, é considerada o fim para qualquer perspectiva da energia atômica neste país num futuro próximo.

Ele amplia o impacto global do desastre de Fukushima, ocorrido após um forte terremoto seguido de tsunami em março no Japão.

A Alemanha desativou suas sete usinas mais antigas depois do desastre e decidiu no mês passado fechar todos os reatores do país até 2022, numa importante guinada política da chanceler Angela Merkel.

As pesquisas mostram que a maioria dos italianos, assim como os alemães, é contrária à energia nuclear, uma emoção alimentada pelo desastre de Fukushima num país propenso a terremotos frequentes.

Berlusconi é um forte apoiador da energia nuclear.

Seu governo de centro-direita argumentava que a geração de eletricidade a partir da energia atômica era essencial para a segurança energética da Itália, que importa quase toda a sua energia e tem um dos preços mais altos na Europa - em parte por causa da falta de usinas nucleares.

Mas o desastre de Fukushima, combinado com um forte esforço da oposição de centro-esquerda para fazer da votação um 'tapa na cara' político no primeiro-ministro, tornou a defesa desses projetos muito difícil.

Mais conteúdo sobre:
ITALIAENERGIANUCLEAR*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.