Italianos dizem ter criado pílula que ´sacia a fome´

Pílula cresce no estômago, criando uma bola que dá sensação de barriga cheia

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 08h54

Cientistas italianos afirmam ter desenvolvido uma pílula que se expande no estômago e dá a sensação de fome saciada às pessoas que desejam fazer dieta. Segundo os pesquisadores, a sensação é a mesma que se tem após comer um prato de macarrão, e pode ajudar na batalha contra a obesidade. A pílula é feita com um hidrogel (gel feito à base de água) desenvolvido pela equipe quando, em uma pesquisa anterior, realizava testes para obter forros de fraldas mais absorventes. Luigi Ambrosio, que chefiou o estudo do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, imaginou, durante o desenvolvimento do hidrogel, que ele poderia ter um efeito semelhante à cirurgia para a redução do estômago. A minúscula pílula tem a consistência de pó quando seca, mas, ao ser engolida com um copo de água, transforma-se em uma "bola de gelatina" no estômago. O produto é feito de celulose, uma fibra resistente à digestão e que, portanto, permanece no estômago mais tempo e provoca a sensação de saciedade. Pequenas porções Até agora, o medicamento foi testado em 20 pessoas, mas especialistas alertaram que serão necessários mais testes para confirmar a segurança do produto. A pílula, que ainda não recebeu um nome, está sendo testada em mais 90 voluntários obesos, que serão monitorados para verificar quantos quilos vão perder e se há algum efeito colateral. "Esperamos obter os resultados em outubro e tentaremos lançar a pílula em maio de 2008", diz Ambrosio. O pesquisador afirma que a pílula deve ser tomada de 30 minutos a uma hora antes de cada refeição. Uma vez no estômago, ela leva de cinco a seis horas para passar pelo sistema digestivo. "Um dos pesquisadores tomou a pílula por volta das 11h da manhã e ficou ´satisfeito´ até às 18h", diz Ambrosio. Ainda segundo o professor, seria possível fazer refeições sob o efeito da pílula, mas em pequenas porções. Paul Hatton, líder do grupo de pesquisa de biomateriais da Universidade de Sheffield disse que a idéia foi "intuitiva". "Há várias formas de produzir hidrogel de forma segura, como os que são usados em próteses e outros medicamentos", afirmou Hatton. "O princípio (do uso do gel) é possível, mas serão necessários vários testes para garantir a segurança da pílula."

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