Itaú abre mão do controle e fecha com a Porto Seguro

A disposição para abrir mão do controle fez o Itaú Unibanco driblar o Bradesco e vencer a disputa para uma parceria com a Porto Seguro, noutro capítulo do processo de consolidação do sistema financeiro no Brasil.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

24 Agosto 2009 | 20h09

A junção anunciada nesta segunda-feira criou a maior seguradora do país nos ramos de automóvel e residência, com cerca de 5 bilhões de reais em valor de mercado, mas só foi possível porque o banco aceitou entrar no negócio como minoritário, com uma fatia de 30 por cento da nova companhia.

"O controle para nós não é paradigma", disse a jornalistas o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, frisando que o mais importante foi a identidade de valores entre as empresas.

A obsessão pelo comando levou o Bradesco ao malogro nas aproximações com a Porto Seguro, sinalizou o presidente-executivo da seguradora, Jayme Garfinkel.

"Queríamos uma forma de controle sobre a operação de ramos elementares e o Bradesco entendia de outra forma", disse Garfinkel a jornalistas, após a entrevista ao lado de Setubal.

Diante disso, a Porto anunciou o insucesso das conversas com o Bradesco na última sexta-feira, apenas dois dias antes de assinar com o Itaú, que foi alçado da quarta para a primeira posição em seguros de automóveis.

Para analistas, o posicionamento em seguros --segmento com penetração ainda baixa na economia e com elevado potencial de crescimento-- vem ganhando importância para o os bancos, que buscam ampliar a oferta de serviços financeiros e pulverizar as fontes de receitas.

"Para o Itaú Unibanco, a operação permite crescer em seguro num momento de desaceleração do crescimento do crédito e queda nas taxas de juros", disse a corretora Link em relatório.

Segundo especialistas, a opção do Bradesco por entrar apenas em negócios em que se possa manter o controle parece estar levando o ex-número 1 dos bancos privados brasileiros a perder espaço para a concorrência.

"O Bradesco vem perdendo espaço por falta de visão estratégica", disse o sócio e presidente da consultoria EFC, Carlos Daniel Coradi.

O comportamento das ações das companhias na Bovespa parece chancelar essa visão. A ação do Bradesco caiu 0,5 por cento, enquanto a do Itaú Unibanco avançou 0,9 por cento e a da Porto Seguro deu um salto de 9,4 por cento.

No início deste ano, o Bradesco era apontado como favorito para fechar um acordo com o Banco Votorantim. O banco da família Ermírio de Moraes acabou fechando parceria com o Banco do Brasil, que ficou com fatia minoritária.

E é do próprio banco estatal que deve vir o próximo ataque contra o Bradesco na área de seguros. O BB, que recentemente voltou a ser primeiro em ativos no país, está prestes a concluir uma reestruturação em seguros, com vistas a dobrar sua fatia de mercado no segmento nos próximos cinco anos.

Mais conteúdo sobre:
BANCOSITAUBRADESCO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.