Ivan Lessa: Tranströmer inédito

Esta coluna tem a honra de publicar alguns trechos de seus poemas inéditos.

Ivan Lessa, BBC

10 Outubro 2011 | 07h36

O recém-laureado com o Nobel de literatura, o poeta sueco Tomas Tranströmer, não tem livro editado no Brasil. Apenas um ou dois poemas figuram de antologias. Esta coluna tem o prazer e a honra de publicar alguns trechos de seus poemas não só apócrifos, inautênticos, falsos e, coroando tudo, inéditos, antes que as editoras, em sua louca corrida para traduzir e editar o que puder do ilustre vate escandinavo, o façam.

Os postes

Distantes e altivos, parecem contemplar

o sul do infinito. São estalagmites da Terra

pedindo perdão para os homens.

Aves ao Anoitecer

Voam para onde esses pássaros?

Para quê? De onde vieram?

Seus bicos calam segredos.

Sus! Voltem logo para me dizer de Deus.

Flor rancorosa

Os dentes desta begônia são

afiados e letais como a alma

de certas mulheres.

Na caverna

Faz escuro na caverna. Eis

um morcego. Ele busca o sol.

Coitado. Além do mais cego.

Um petroleiro

Como a cobra ao deixar

o rio, ele deixa atrás de si

o rastro de motores a sufocar gafanhotos

e louva-a-deuses

O ornitorrinco

Vez por outra Deus pede

licença à natureza e

faz uma piada.

Haicai triste

Outono. Sob uma cerejeira a morrer

Chiu-fui-san compõe seu haicai para

a estação. Três versos soluçando.

Cinco lágrimas, sete lágrimas, cinco lágrimas

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