Já confirmou sua reserva?

Já provou tucumã? Conhece achachairu? Ouviu falar em biri-biri? Prepare-se, porque a partir de amanhã esses e muitos outros ingredientes brasileiros pouco conhecidos por essas bandas vão virar assunto no Paladar - Cozinha do Brasil. Nos próximos três dias, o maior evento da gastronomia brasileira, promovido em parceria entre o Paladar e o Grand Hyatt São Paulo, reúne chefs de diferentes regiões do País, cozinheiros estrangeiros célebres, pesquisadores e gourmets num encontro que terá aulas, workshops, degustações e palestras. É um evento único, que tem como objetivo desvendar e valorizar os produtos nacionais. Ainda dá tempo de se inscrever para participar. Do Centro-Oeste vem a baunilha do cerrado; do sul da Bahia, o aratu; do Amazonas, o caruru-bravo...Tanta variedade comprova a teoria do chef baiano Beto Pimentel, que chega para o evento com a mala carregada de frutas e legumes jamais vistos por estas bandas: "Isto aqui não é um País, é um continente", costuma dizer ele. Pois ao longo dos próximos três dias, esses especialistas reunidos vão traçar a geografia alimentar deste "continente" e conhecer alguns de seus personagens marcantes, especialmente convidados. TERROIR DE S. GABRIEL DA CACHOEIRA D. Brazi vem lá do Amazonas para explicar tudo sobre a maniuara, uma formiga grande e vermelha. A quituteira Josefa Gonçalves de Andrade, mais conhecida como a d. Brazi, nasceu em Marabitanas, uma comunidade do Rio Negro, nos confins amazonenses do Brasil com a Venezuela. Descendente de índios barés e espanhóis, desde a adolescência d. Brazi lida com ingredientes nativos e conhece a importância do molhinho de tucupi, "capaz de melhorar qualquer refeição". Em 1998, começou a cozinhar para fora. O negócio é recente, mas já ganhou uma chancela de respeito. "Alex Atala gostou da farofa de tucumã e da farofa de caruru-bravo", conta ela com naturalidade. Na bagagem, d. Brazi traz saúva e tucupi preto. Ela vem acompanhada do chef conde Aquino, do La Cave de Conde, que vai apresentar um outro ingrediente curioso, com fama de ser o "embaixador do Rio Negro": o cubio, fruto da família do tomate. CEARENSE DE CORAÇÃO O chef franco-alemão e cearense honorário Bernard Twardy cozinhou pela Europa e Caribe e viajou pelo mundo a bordo de um veleiro, sem residência fixa. Mas bastou avistar o litoral cearense para encerrar a trajetória errática. Isso foi há 23 anos e ele ainda está em Fortaleza, onde chegou a abrir um restaurante, que não conseguiu manter pela dificuldade em encontrar ingredientes básicos da cozinha francesa. Hoje ele é o chef executivo do Beach Park. Desistiu dos produtos franceses, interessou-se pelos ingredientes locais e agora se dedica a resgatar as raízes da culinária do Ceará. No workshop Cozinha Cearense à Francesa, Twardy vai mostrar sua reinvenção da quiche lorraine, feita com carne de caranguejo, coentro e pimenta de cheiro... "Essa simbiose é perfeita", diz. BÚFALO DE MARAJÓ No Laboratório Paladar, no ano passado, Jerônima Barbosa, dona da Pousada São Jerônimo, na Ilha de Marajó, trouxe na mala um molusco de aspecto sinistro que virou protagonista do evento, o turu, ou bicho-de-pau. É uma iguaria marajoara, que pode ser preparada em caldo, cozida em molho ou servida só com sal e limão. Esse ano, Dona Jerônima vai apresentar outra especialidade local: o búfalo. LAGOSTA AZUL E MEL DE CACAU O chef Paulinho Martins trouxe de Ilhéus, na costa cacaueira baiana, a lagosta azul. De carne macia e levemente adocicada, ela dá uma moqueca maravilhosa. Mas além da lagosta, o chef paulista que se mudou para a Bahia trouxe outras delícias, como o mel de cacau, extraído quando o fruto é quebrado, a baunilha local e a taioba. Com isso tudo, ele vai mostrar um pouco do que se come no sul da Bahia. NOVOS BAIANOS Paulinho Martins é um "novo baiano" do sul. Edinho Engel, dono do restaurante Amado, Beto Pimentel, do Paraíso Tropical, e o francês Marc Le Dantec são os "novos baianos" do Recôncavo. Juntos eles vão comandar dois workshops e um jantar sobre a fusão dos ingredientes dessas duas regiões. "Vai ser fantástico. Sinto-me lisonjeado de cozinhar junto com o Edinho, Beto e Marc", diz Paulinho Martins. QUE FRUTA É ESSA? Cambucá, cruá e camu-camu, frutos de pomares nativos e pouco conhecidos, são o tema da palestra da nutricionista e pesquisadora Neide Rigo. ESTRANGEIROS Este ano, o laboratório de sabores brasileiros recebe a visita dos chefs espanhóis Andoni Luis Aduriz, do Mugaritz, duas estrelas Michelin, e Oriol Rovira, do Els Casals, classificado com uma estrela Michelin, na Catalunha. Da Itália, vem Massimo Bottura, da Osteria Francescana, duas estrelas Michelin, em Modena. A ideia é promover um intercâmbio de conhecimento, experiências e receitas. DEGUSTAÇÕES Os vinhos, as cervejas, os destilados e os cafés estarão presentes em painéis de degustação e aulas representativos. O Lote 43, importante vinho da Serra Gáucha, será tema de uma degustação vertical. Uma horizontal (diferentes vinhos de um mesmo ano) analisará o ano de 1999 no Rio Grande do Sul, com vinhos de todos os maiores produtores gaúchos. A uva Merlot aparecerá como protagonista de um painel de prova, em vinhos de diversas regiões do País. O produtor dos polêmicos vinhos Tormentas mostrará seus produtos, incluindo vinhos experimentais, nunca apresentados antes. Os pratos brasileiros serão harmonizados com vinhos nacionais no último dia do evento. Derivan de Souza, o barman mais conhecido do Brasil, falará sobre os detalhes adequados para beber cachaça, mostrando o efeito da temperatura de serviço e dos diversos formatos de copos sobre a bebida. Em outra degustação, comparará estilos de cachaças e falará sobre a capacidade de envelhecimento de algumas aguardentes. Veja a programação completa do evento no site oficial: Paladar do Brasil

04 Junho 2009 | 10h12

Mais conteúdo sobre:
Paladar Cozinha do Brasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.