Marcio Nunes/ Divulgação
Marcio Nunes/ Divulgação

'Já esqueceram que eu sou português?'

Em clima de recomeço, ator treina para aparecer sem sotaque em Insensato Coração

Thaís Pinheiro, do Estado de S.Paulo,

27 de fevereiro de 2011 | 10h00

Há sete anos, um novo galã dava o ar da graça nas novelas brasileiras, em Como Uma Onda, com um sotaque vindo do outro lado do Atlântico. Nos últimos dias, o tal moço reapareceu, não menos belo, em Insensato Coração, mas bem menos português. Ricardo Pereira, que tem a missão de arrancar suspiros da mocinha Marina (Paola Oliveira) na trama, explica ao Estado como tem sido a adaptação ao "brasilês" e garante que "não tem melhor lugar no mundo para morar que o Brasil".

Quando o convidaram para fazer a novela, pediram para "perder" o sotaque?

Ninguém me pediu, eu sugeri isso. Já estava fazendo um trabalho com uma fonoaudióloga há algum tempo porque, estando no Brasil num momento superbom de cinema e teatro, tenho que aproveitar as oportunidades. Não posso ficar fazendo personagem de português pra sempre, quero me mostrar mais. Quando recebi o convite, só sabia que Henrique não tinha uma origem específica. Agora trabalho com uma fonoaudióloga da novela. Duas vezes por semana a gente senta para acertar este sotaque, estudando o texto, palavra a palavra, pra que tudo saia perfeito.

Você entrou recentemente na novela e tem gente que ainda não percebeu que você é "aquele ator português".

É muito bom isso, sinto na rua. Viajo o Brasil inteiro para fazer outros trabalhos e tem gente que diz: "Peraí, você fazia muito bem o português." Então as pessoas já esqueceram que sou português.

Como você veio parar no Brasil? Por que fazer novela aqui?

Em 2002, a Globo estava procurando um ator português para a novela Esperança, que faria par com Maria Fernanda Cândido. Fiz os testes, mas acabaram trazendo um colega meu maravilhoso, Nuno Lopes, porque eles queriam alguém com um perfil mais velho. Eu já vinha de teatro, cinema e televisão em Portugal e, antes de tudo isso, tinha trabalhado com moda. Dois anos depois vim fazer a primeira novela a convite do Dennis Carvalho e do Walther Negrão, em Como Uma Onda. Era o primeiro protagonista estrangeiro na TV brasileira. Foi o maior barato. Eu já tinha morado em oito países, mas estar no Brasil, ouvir a mesma língua, estar na Cidade Maravilhosa, tudo deu tão certo que me marcou pra sempre.

Vir para o Brasil já era um projeto na sua vida?

Nunca fui de ficar parado em casa. Como modelo, morei em Paris, Milão, Nova York, Berlim, Munique, Madri, Barcelona. Já tinha visitado o Brasil e trabalhar aqui, ter a praia ao lado de casa, neste país maravilhoso, numa das maiores emissoras do mundo, não tem como pensar duas vezes. Ninguém previa esse crescimento todo do País, em termos cultural e econômico e como organizador de eventos. Então, não tem melhor lugar no mundo para morar que o Brasil. Estou contratado pela Globo até 2014, então, o meu futuro está aqui.

Em algum momento você teve medo de não ser aceito pelo público ou ficar estereotipado?

Olha só, você muda de lugar, vai trabalhar com outras pessoas e com um público que não conhece tão bem. Quando cheguei e comecei a receber tudo o que recebi aqui, superei tudo. Cheguei com respeito, com objetivo de trabalhar, fazer sempre o melhor, escutar conselhos das pessoas mais velhas. No começo, tem um receio, mas, depois de tudo o que aconteceu, fiquei com um sorriso de orelha a orelha.

Sentiu diferença entre os públicos português e brasileiro?

Novela aqui é algo muito cultural. E aqui o público é mais extrovertido, fala na hora, é um público mais humano, mais verdadeiro. O português é mais introvertido.

Você foi alvo de muitas piadinhas dos colegas e nas ruas?

Meu amor, sei todas! (risos). A galera conta e você acaba aprendendo. Adoro essa coisa do brasileiro, que diz "perco o amigo, mas não perco a piada". Me divirto com isso.

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