Já há soja resistente à ferrugem

Embrapa desenvolve cultivar, que estará disponível para produtores apenas na safra 2010/2011

Tânia Rabello, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2007 | 01h06

A soja resistente à ferrugem já existe. Desenvolvida pela Embrapa, sementes da nova cultivar, que está em fase de registro, estarão disponíveis aos produtores de grãos apenas na safra 2010/2011. Conforme o pesquisador em Genética e Melhoramento de Soja, José Francisco Ferraz de Toledo, "as sementes básicas serão multiplicadas na safra 2008/2009". A nova cultivar é proveniente da linhagem BR01-18437. "De 16 mil linhagens testadas, chegamos a cerca de 50 - de uma das quais a BR01-18437 é derivada - que demonstraram alto grau de resistência", diz Toledo.CINCO SAFRASA nova soja foi testada por cinco safras e em todas comprovou sua resistência à doença, que, se não for controlada, pode pôr a perder até 70% da safra. Por enquanto, a nova variedade é própria para cultivo na Região Central do Brasil. É importante ressaltar que, apesar da resistência à ferrugem, não está eliminada, no manejo da lavoura da nova cultivar, a aplicação de fungicidas. Conforme Toledo, as pulverizações, que devem seguir o manejo já preconizado, servirão para prevenir o surgimento de raças do fungo Phakopsora pachyrhizi (o causador da ferrugem) que possam quebrar a resistência. "O fungo da ferrugem tem variabilidade muito grande", diz. "Por isso não é impossível surgir uma raça que quebre a resistência", continua. "A aplicação de fungicidas servirá para inibir a ação dessa raça mais forte, se ela surgir, impedindo sua multiplicação e predominância", explica. "O tratamento com fungicidas dentro do manejo prolongará o tempo de vida útil da cultivar." Produtores de grandes áreas também não ficarão com prazo tão apertado para pulverizar, como ocorre atualmente. "Acertar o momento certo da primeira aplicação de fungicida é difícil", diz Toledo. "Como a soja é resistente, haverá uma margem de tempo maior para as aplicações." Mesmo recomendando as aplicações, Toledo diz que o normal será uma, no máximo duas, por safra. "Aplicar três será jogar dinheiro fora." COMO FUNCIONAO pesquisador explica como se dá a resistência. "O fungo deposita o esporo na folha. Em pouco tempo, surge uma mancha vermelha no local, que significa a reação da planta ao invasor", explica. "A planta se defende necrosando a parte atingida." É, porém, uma resistência vertical, garantida, no DNA da planta, por apenas um gene. Então, há o risco maior de a resistência se quebrar. "Se fosse resistência horizontal, garantida por uma série de genes, o risco seria menor."A nova soja foi desenvolvida dentro do Convênio Cerrados - uma parceria entre as Embrapas Soja, Cerrados, Transferência de Tecnologia, a Agênciarural-GO e o Centro Tecnológico para Pesquisas Agropecuárias (CTPA). A pesquisa também contou com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).INFORMAÇÕES: Embrapa Soja, tel. (0--43) 3371-3000, www.cnpso.embrapa.br

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