Jantando com Chico, Bocuse, Caymmi...

Em 'Os Jantares que não Dei', Bettina Orrico compila menus que gostaria de cozinhar para personalidades

Cíntia Bertolino,

12 Novembro 2009 | 11h43

Se tivesse o privilégio de cozinhar para pessoas que admira, Bettina Orrico saberia exatamente quem escolheria e o que faria. A culinarista, responsável por criar e testar receitas para a revista Cláudia desde 1973, tampouco seria pega de surpresa caso tivesse de preparar uma refeição, às pressas, para alguém como Paul Bocuse. Veja também: Crônica exclusiva de Bettina Orrico: 'Rainha Elizabeth' E não há dúvida de que o chef francês, que a autora ciceroneou na Bahia na década de 70, passaria muito bem. Comeria vermelho com manga e agrião, fritada de ostras, filé com molho de pimenta cumari e, para finalizar, rocambole de goiabada. Bocuse é um dos homenageados no saboroso Os Jantares que não Dei (Beï Editora, R$ 58), livro em que a autora cria 20 cardápios para personalidades, como Dorival Caymmi, Tomie Ohtake e Inezita Barroso. Bettina começou a criar menus imaginários em 1991. "Um dia estava preparando um jantar para amigos e não conseguia decidir o que pôr no cardápio. E olha que era gente que conhecia havia bastante tempo. Aí, pensei, imagina só se eu fosse cozinhar para gente que não conheço?" Colecionar pratos é um hábito antigo. O primeiro caderno de receitas, de 1954, é uma boa amostra. Elas estão ali, conservadas nas páginas cor de caramelo, escritas em um agora desbotado tom de azul. A receita do creme bávaro de baunilha, depois de testada, recebeu no canto um "muito bom!". Ela até que tentou ficar longe das panelas, estudou Belas Artes em Salvador, sua cidade natal, mas a pintura não foi páreo para a cozinha. Há cinco anos, o projeto deste livro foi retirado do esquecimento de um de seus inúmeros cadernos de anotações. "Demorei a mostrar o livro às pessoas porque sou tímida. Sempre tenho a impressão de que a coisa não está boa." Por não se tratar somente de um livro de receitas, os capítulos seguem uma divisão afetiva com personagens que marcaram da infância à vida adulta da autora. Crônicas breves, delicadas e divertidas preparam o leitor para cada festim, todos compostos por pratos de fácil execução. O cardápio para o cantor e compositor Chico Buarque começa com um patê de fígado. A sobremesa é um bom-bocado, ‘com açúcar e com afeto’. A autora supôs o que cada um de seus convidados de honra gostaria de comer baseada em impressões. "Como não conheço os gostos de todas essas pessoas, posso ter cometido gafes horrorosas", diz.

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