Japão homenageia mortos no tsunami um ano após tragédia

Com um minuto de silêncio, badalar de sinos e orações, o Japão vai marcar no domingo o primeiro aniversário do terremoto seguido de tsunami que matou milhares de pessoas e desencadeou uma crise nuclear que destruiu a confiança do seu povo na energia atômica e nos líderes da nação.

YOKO KUBOTA, REUTERS

10 Março 2012 | 19h08

Um ano depois que o terremoto de magnitude 9,0 desencadeou uma parede de água que atingiu a costa nordeste do Japão, matando cerca de 16 mil e deixando quase 3.300 desaparecidos, o país ainda está lidando com os custos humano, econômico e político.

Ao longo da costa, a polícia e a guarda costeira, pressionados pelos familiares dos desaparecidos, ainda procuram em rios e praias por restos mortais, embora as chances de encontrá-los seja remota. Sem os corpos, milhares de pessoas estão em um estado de limbo emocional e legal.

Koyu Morishita, de 54 anos, perdeu seu pai de 84 anos, Tokusaburo, assim como a sua casa e a fábrica de peixes da família, no porto de Ofunato. O corpo de Tokusaburo ainda não foi encontrado.

"Eu choro um pouco, de vez em quando, mas as minhas verdadeiras lágrimas virão mais tarde, quando eu tiver tempo", disse Morishita ao visitar um memorial para o seu pai, em um templo no alto do morro, acima de Ofunato, acompanhado por seu cachorro, Moku.

Como o resto do país, Ofunato vai fazer um minuto de silêncio às 14h46 de domingo (2h46 da madrugada em Brasília), horário em que o terremoto aconteceu, e novamente 33 minutos depois, quando uma parede de 23 metros de altura de água atingiu a cidade, matando 340 dos seus 41.100 habitantes e deixando 84 desaparecidos.

"Um sino de esperança" vai tocar e os enlutados vão para o mar lançar lanternas.

O povo japonês ganhou a admiração mundial pela sua serenidade, disciplina e resistência diante do desastre, enquanto suas empresas impressionaram pela velocidade com que conseguiram se recuperar, consertando as cadeias de fornecimento.

Como resultado, a economia tende a voltar aos níveis pré-desastre nos próximos meses, com a ajuda de 230 bilhões de dólares de fundos para a reconstrução, obtidos num raro acordo entre o governo e a oposição.

"Na história recente, o Japão conseguiu uma rápida expansão econômica proveniente das cinzas e desolação da Segunda Guerra Mundial, e nós construímos a economia mais eficiente do mundo em termos energéticos após a crise do petróleo", disse o primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, num artigo publicado no jornal Washington Post.

"No aniversário do Grande Terremoto no Leste do Japão, nos lembramos que hoje enfrentamos um desafio de proporções semelhantes."

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