Japão quer usar robôs para ajudar população idosa

Equipamento já limpa andares inteiros de um edifício no centro de Tóquio

Reuters

12 de setembro de 2007 | 10h54

A aparência é a de uma máquina de lavar roupa desajeitada instalada sobre rodas, mas o aparelho grandalhão que está passa aspirador nos corredores de um grande edifício de Tóquio é na verdade um robô. Veja também:  Em 20 anos, andróides farão tarefas domésticas   Pesquisadores japoneses esperam que robôs como esse sejam a resposta a uma questão premente que pende sobre o país: como lidar com o envelhecimento da população e com a redução da força de trabalho.A máquina de aspirar desenvolvida pela Fuji Heavy Industries já está limpando os corredores de cerca de dez edifícios em todo o país, entre os quais um arranha-céus de 54 pisos no centro de Tóquio.O aparelho opera à noite, depois que os trabalhadores que ocupam os escritórios deixam os edifícios. Ele usa os elevadores para se transferir entre os andares."O elevador está em uso para limpeza. Favor não utilizá-lo", diz uma mensagem automatizada aos usuários humanos, enquanto as rodas do andróide giram e ele rola para dentro.Robôs capazes de operar em residências, escritórios e outros locais que não apenas fábricas ainda são raros até mesmo no Japão, uma das potências mundiais da robótica e responsável por cerca de 40% dos robôs industriais em uso no mundo.Pesquisadores japoneses estão correndo contra o tempo para construir robôs inteligentes o bastante para servir às necessidades dos idosos, em um país no qual 40% da população terá idade superior a 65 anos, em 2055.À medida que a população japonesa envelhece e a força de trabalho do país se reduz, pesquisadores dizem que novos tipos de robôs desempenharão papel importante, já que simplesmente não existem pessoas suficientes para realizar trabalhos desse tipo."Na espécie de sociedade envelhecida que prevemos, a situação provavelmente chegará ao ponto em que não restará muita escolha a não ser obter ajuda deles (robôs)", disse Isao Shimoyama, diretor da Graduate School of Information Science and Technology, da Universidade de Tóquio.Ele é um dos pesquisadores que trabalham com sete grandes empresas japonesas -entre as quais Toyota, Fujitsu e Mitsubishi Heavy Industries- no desenvolvimento da robótica e tecnologia da informação necessárias para a criação de novos robôs nos próximos 15 anos."Se você deixar cair roupas no chão, um robô poderia pegá-las e colocá-las na máquina de lavar", disse Shimoyama. "Assim que as roupas estiverem secas ele poderá dobrá-las e guardá-las."Mas ainda deve levar algum tempo antes que os robôs mais humanóides e bípedes abram caminho pelas casas do mundo."Eles parecem espertos, mas são realmente burros", disse Shimoyama. "Eu não creio que eles vão ser algum dia inteligentes como os humanos."

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