Jardim do século XVI é recriado no Reino Unido

Ele foi construído pelo conde de Leicester para tentar convencer a rainha Elizabeth I a casar-se com ele

Efe

14 Julho 2008 | 14h51

Flores perfumadas, frutas maduras, água, peixes e aves são os principais elementos de um belo jardim no centro da Inglaterra, que recria em detalhes aquele que Robert Dudley, conde de Leicester, mandou cultivar para cativar a rainha Elizabeth I (1533-1603).   Em um projeto pioneiro no Reino Unido, a organização de conservação do patrimônio English Heritage pretende recuperar para o grande público um dos jardins mais impressionantes da história, destruído pelo tempo e pela guerra civil inglesa. Foto: Efe Uma equipe de arqueólogos, historiadores e jardineiros recuperaram toda a informação disponível, arqueológica e literária, para reproduzir minuciosamente o jardim do Castelo de Kenilworth, cujas ruínas ainda podem ser visitadas no condado de Warwickshire. O castelo e seus jardins foram cenário de "uma das histórias de amor mais sensacionais da história da Inglaterra", segundo o diretor-executivo do English Heritage, Simon Thurley. Foto: Efe No verão de 1575, a soberana, apaixonada desde jovem pelo nobre, a quem tinha concedido o importante título de "Master of the horse", desfrutou de um recesso de 19 dias no palácio, onde foi acolhida com todas as honras. Para impressioná-la, e conseguir com que finalmente ela se casasse com ele, o conde de Leicester mandou construir o jardim que agora é recriado. "No século XVI, os jardins eram lidos como um livro, e cada flor, cada elemento, tinha um significado", explicou à Agência Efe o responsável de Paisagens e Jardins do English Heritage, John Watkins. Quando a rainha passeou pelo jardim desenhado em sua honra, viu, tocou e cheirou flores e plantas como rosas, cravos e açucenas de diferentes variedades, e crucíferas como a rúcula doce ou a sálvia. Pôde degustar morangos doces, maçãs e pêras, e escutar o murmúrio da água ao brotar de uma fonte, e o canto das aves exóticas expostas no esplêndido viveiro, decorado com jóias e pedras preciosas. Uma carta de Robert Langham, que trabalhava para Dudley, permitiu ao English Heritage obter uma descrição precisa do jardim, confirmada com as escavações arqueológicas e o achado de restos da fonte. Com um orçamento de 2,5 milhões de libras (3,1 milhões de euros), o English Heritage mandou construir uma nova fonte, o viveiro de aves, estátuas e obeliscos, além de plantar, com a máxima rigorosidade, as espécies hortícolas da época. Apesar de seus notáveis esforços, o conde Robert Dudley (1532-1558) não conseguiu seduzir Elizabeth I, também cortejada pela Espanha e França, que, em prol de seu país, acabou morrendo solteira e, segundo se diz, virgem.

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