Javali vira praga em zona rural

Cultivos na região de Bragança Paulista vêm sendo destruídos por bandos do animal, que tem a caça proibida

Luiz Gallo, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2008 | 01h40

Os agricultores de Bragança Paulista (SP) têm perdido plantações por causa do ataque de javalis. De acordo com o chefe da Divisão de Agronegócios do município, Marcelo Perrone, ''eles passam destruindo tudo'', diz. O próprio Perrone perdeu mais de 50% de um milharal de 24 hectares. O agricultor esperava colher 80 sacas/hectare e colheu menos de 60 sacas/hectare. ''Não deu nem para cobrir os custos.'' O sítio de Perrone fica no Bairro Bocaina, um dos mais afetados, junto com os Bairros Atibaianos e Mãe dos Homens.O produtor Fuji Ishimoto também teve prejuízo em suas plantações de milho, feijão e batata. ''Os javalis atacam em bando, e deixam vários clarões no meio da lavoura'', diz. De acordo com a Secretaria de Agricultura de Bragança Paulista, os ataques vêm ocorrendo há três anos. Mas em 2008 a situação se agravou.Conforme o veterinário Jonas Antonio Carmignotto, o problema começou porque javalis de criatórios clandestinos foram soltos na região, e encontraram um ambiente perfeito na zona rural de Bragança, onde há água farta e alimento - os cultivos. ''Não há predadores, como onças, e eles viraram praga'', diz o veterinário. Outro agravante é o fato de eles se cruzarem com porcos domésticos, originando o ''javaporco''. Ambos são considerados pela legislação brasileira como animais ''asselvajados'', que, apesar de serem exóticos, devem ter a caça autorizada pelo Ibama.E, no caso de São Paulo, conforme explica Perrone, onde a caça é proibida, deve-se ter autorização também do Ministério Público.ARMADILHASDiante do problema, algumas reuniões têm sido feitas entre os produtores, a Secretaria de Agricultura e o Ibama. ''Elaboramos até um método de captura, que se baseia na construção de armadilhas, com gaiolas de aço'', conta Perrone. ''Após a captura, o Clube de Tiro de Atibaia se encarregaria de matar os javalis, que seriam dados como alimento aos felinos do Zoológico de Itatiba (SP). O Ibama, entretanto, só autoriza o método se o Ministério Publico autorizar também, o que até agora não ocorreu. ''Nossas lavouras estão sendo destruídas e nós não podemos fazer nada'', conta o agrônomo da Casa de Agricultura de Bragança, Luiz Ralize.Em reunião em Bragança Paulista, a representante do Ibama, Rossana Borioni, confirmou que nada pode ser feito sem autorização do Ministério. ''Os promotores de São Paulo já se prontificaram a discutir o assunto, mas a Promotoria bragantina ainda não se mobilizou'', diz Perrone.

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