JBS vê consumo de carne firme e foca oportunidades no Mercosul

O brasileiro JBS, grupo que mais abate bovinos no mundo, com operações nos Estados Unidos, Europa, América do Sul e Austrália, avalia que a demanda por carne continuará firme, apesar da crise global, e prevê crescer mais suas operações em 2009, focando especialmente o Mercosul. "Verificamos que nos últimos anos, em todas as crises, se houve redução no consumo em tonelagem, não houve grandes oscilações", afirmou o presidente do JBS, Joesley Mendonça Batista, em entrevista à jornalistas. Embora avalie que tanto o volume abatido quanto o consumido deva variar pouco nos próximos três a quatro anos, uma vez que a oferta no ciclo da pecuária é "inelástica", ele admitiu que o preço, "de fato", pode oscilar, sem dar mais detalhes. No terceiro trimestre de 2008, a empresa abateu 2,95 milhões de cabeças de bovinos, aumento de 22,2 por cento em relação ao mesmo período de 2007 e alta de 2,4 por cento ante o segundo trimestre deste ano. Batista disse ainda que vê nos momentos de turbulência financeira oportunidades para crescer. "Temos conseguido produzir resultados nos mais adversos cenários, de farta liquidez ou de falta de liquidez... Temos DNA de crescer e tenho certeza que vamos continuar crescendo", afirmou ele. Entretanto, ele indicou que a empresa não pretende realizar novas aquisições em 2008, aguardando algum "tempo para entender o aperto de liquidez". "Em 2008 não vamos fazer nada, estamos preparados para seguir crescendo em 2009, no Mercosul", observou o presidente, destacando que a empresa tem recursos suficientes em caixa. Empresas com problemas financeiros no Brasil e Argentina poderão ser os alvos. CÂMBIO E EUA REFORÇAM LUCRO No final da noite de segunda-feira, o JBS divulgou o seu melhor resultado trimestral da história, que atingiu no terceiro trimestre 694 milhões de reais, contra prejuízo de 78,3 mmilhões de reais na mesma época do ano passado e perdas da ordem de 364 milhões de reais no segundo trimestre do ano. Parte da diferença no lucro veio, segundo Batista, da valorização dos ativos da empresa no exterior, com a alta do dólar frente ao real, e também das operações de hedge para proteger a empresa de tais variações do câmbio --anteriormente, a empresa registrara prejuízos, sem efeito caixa, justamente pelo movimento contrário da moeda brasileira. Segundo Batista, a empresa, com 80 por cento de sua geração de caixa na moeda norte-americana, ainda não foi beneficiada no operacional pela valorização do dólar, o que deve ocorrer com maior força no quarto trimestre. De qualquer forma, ele destacou o resultado expressivo das operações de bovinos do JBS EUA, cujo Ebitda (ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 1.441,6 por cento em relação ao terceiro trimestre de 2007, para 155,6 milhões de dólares, um recorde. "A Swift dos EUA (atual JBS) experimentava resultados inferiores ao da indústria. Um ano depois, operamos acima da mediana", salientou Batista, lembrando que enquanto as vendas externas totais norte-americanas cresceram 33 por cento este ano, as do JBS aumentaram em 64 por cento. FORÇA PARA BRIGAR NOS EUA Durante o terceiro trimestre, o governo dos EUA aprovou uma das aquisições do JBS, a unidade de carne bovina do grupo Smithfield e suas operações de confinamento, negócio este já finalizado. Mas o JBS afirmou que continuará tentando na Justiça dos EUA a aprovação da National Beef, cuja compra foi anunciada em março, juntamente com o negócio da Smithfield, mas bloqueada pelo Departamento de Justiça. "Temos um projeto de longo prazo... (A National Beef) é relevante para o aumento de nossa competitividade, para brigar com as gigantes dos Estados Unidos, como Cargill e Tyson. Temos que ter tamanho equivalente para disputar com as gigantes."

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