Jogadores do Milan deixam campo após ofensas racistas

Parte dos tocedores de time rival cantam músicas preconceituosas e ofendem jogadores negros.

BBC Brasil, BBC

03 de janeiro de 2013 | 20h39

Um jogo de futebol entre o Milan e o time da segunda divisão italiana Pro Patria foi suspenso depois que os jogadores deixaram o campo após sofrerem ofensas racistas.

A FIGC (Sigla da federação italiana de futebol) anunciou que uma investigação será realizada sobre o caso.

Parte da torcida do Pro Patria cantou músicas racistas para ofender jogadores de origem africana do Milan.

Aos 25 minutos do primeiro tempo do amistoso, após o início das ofensas, o atleta Kevin-Prince Boateng - que é de Gana e atua no Milan - pegou a bola do jogo e a chutou em direção à torcida.

Em seguida, Boateng retirou sua camisa - ato que foi imitado por outros jogadores.

Organizadores do evento usaram o sistema de som do estádio para pedir que a torcida parasse com as ofensas.

Mais tarde, Boateng escreveu em sua conta no Twitter: "É uma vergonha que coisas como essa ainda aconteçam... Parem com o racismo para sempre".

O presidente da FIGC, Giancarlo Abete, classificou o episódio como "inqualificável e intolerável" por meio de uma nota publicada no site da entidade.

"Temos que reagir com força e sem silêncio para isolar alguns poucos criminosos que transformaram um amistoso em um tumulto que ofende todo o futebol italiano", diz a nota.

Enquanto se retirava do campo, Boateng aplaudiu determinados setores do público que reagiram desaprovando os colegas que estavam na área da arquibancada de onde partiram as ofensas.

A partida foi logo suspensa e o Milan anunciou por meio de seu site que outros jogadores negros do time - M'Baye Niang, Urby Emanuelson e Sulley Muntari - também foram ofendidos.

O técnico do Milan, Massimiliano Allegri, afirmou ter ficado "desapontado" com o episódio. "Precisamos acabar com esses gestos não civilizados. Nos desculpamos com todos os outros torcedores que vieram para ver um belo dia esportivo".

"Prometemos retornar e nos desculpamos com o clube e os jogadores do Pro Patria, mas não poderíamos ter tomado uma atitude diferente".

Massimiliano deu apoio irrestrito á saída de campo dos jogadores do time.

Sinal

"Isso tudo é muito triste, mas nós tivemos que dar um sinal forte. Estamos muito orgulhosos de nossos jogadores por sua decisão", disse à BBC Sport Umberto Gandini, um diretor do Milan.

O episódio provocou reações de outros jogadores e da sociedade civil. Vincent Kompany, o capitão do Manchester City, apoiou a atitude dos jogadores do Milan.

"Eu só posso elogiar a decisão do Milan de deixar a partida".

Piara Powar, diretor da organização FARE (sigla de Futebol Contra o Racismo na Europa) disse que a federação de futebol italiana deve adotar uma ação de força.

"Elogiamos Kevin-Prince Boateng por suas ações e seus colegas de time pelo apoio que deram a ele", disse Powar.

"A Itália, assim como qualquer pais da Europa, tem que lidar com um sério problema de racismo. Esperamos uma ação forte da FIGC", disse. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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