Jogos de 'avós dos nerds' são sucesso na Campus Party

Em meio a computadores de última geração, a robôs que interagem com o público e a simuladores de cenários virtuais, um estande da Campus Party, no prédio da Bienal, em São Paulo, destoa por não ter ao menos um equipamento eletrônico. No fundo do pavilhão, o que se vê são duas mesas de futebol de botão, uma de sinuca, duas de pebolim e outras de xadrez e dama - os chamados "jogos boêmios". E pelo movimento no local, dá para notar que os fanáticos por internet também se interessam por algumas atividades que divertiam seus pais e avós sem precisar envolver mouses, processadores ou a incrível conexão de 5 Gb por segundo - uma das novidades do evento.Para a Secretaria Municipal de Esportes (Seme), que montou o espaço no fundo do pavilhão da Bienal, o objetivo é incentivar a prática de esportes "boêmios" em uma feira onde muitos participantes passam várias horas de seu dia-a-dia na frente do computador. "Queremos tirar um pouco essas pessoas do computador e trazê-los ao tempo dos jogos que nossos pais e avós praticavam, naquele tempo de boteco", afirmou a representante da Sema no estande, Tatiana Barros.Ela disse que o espaço é o último do evento a fechar, por volta das 3 horas, e a procura pelas mesas é grande, principalmente à tarde e à noite. "O pessoal desce para comer e passa aqui para relaxar. Eles fazem campeonato de botão, de pebolim, depois voltam para seus computadores", disse. É o caso dos venezuelanos Arley Lozano, de 23 anos, e Miguel Angelo Bohorguez, de 25, ambos empresários, que vieram ao País especialmente para a Campus Party. Após o almoço eles disputaram algumas partidas de pebolim para desligarem um pouco suas cabeças dos laptops. "É ótimo para se divertir depois das refeições e para fazer digestão", disse Arley. "Para divertir e suar", completou Miguel Angelo.InstruçõesPara quem não conhece as regras da sinuca ou do futebol de botão, ou mesmo quem quer apenas dicas para aperfeiçoar seu jogo, o espaço conta com professores para dar instruções. "No caso do bilhar, todo mundo só conhece a numerada (disputa pelas bolinhas de acordo com os números delas). Aí, tenho que explicar a sinuca profissional, como se joga. Acaba sendo um incentivo para se interessarem por um novo esporte", afirmou Jorge Luiz Imafuku, jogador amador de sinuca há dez anos.Para o instrutor de botão, o militar aposentado Olímpio Santiago, há quatro anos jogador oficial, os jogos "boêmios" não concorrem com o computador. "Acho até que se completam", disse. Para ele, o jogos "boêmios" desenvolvem o controle psicomotora e a coordenação motora dos praticantes. "É difícil controlar o pensamento sincronizado com os movimentos precisos da mão. É necessário cálculo e muito treino", afirmou.

WLADIMIR D'ANDRADE, Agencia Estado

13 de fevereiro de 2008 | 16h24

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