Joia de Le Corbusier é a favorita para se tornar Patrimônio da Humanidade

Artista projetou no sul da França quatro pavimentos, pensados para responder às necessidades básicas do cidadão

Efe,

23 Junho 2011 | 06h52

FRANÇA - O maior complexo arquitetônico concebido na Europa pelo franco-suíço Le Corbusier, situado no sul da França, lidera a candidatura da obra do revolucionário criador para integrar a lista do patrimônio mundial da humanidade da Unesco.

 

O "Centre de Récréation du Corps et de L'Esprit" engloba grandes edifícios modulares construídos em Firminy ao longo de décadas fiel aos planos do arquiteto. Sua candidatura será avaliada na quinta e na sexta-feira pela Agência das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

 

A pequena localidade de apenas 20 mil habitantes do departamento do Loire deu carta branca para Le Corbusier elaborar seu conceito de cidade utópica.

 

O artista projetou após a Segunda Guerra Mundial quatro pavimentos, pensados para responder às necessidades básicas do cidadão: um espaço cultural, um ginásio esportivo, uma igreja e um prédio de cerca 400 apartamentos conhecido como "unidade de habitação" parecidos com os já criados em outras cidades do país.

 

"Cada edifício criado por Le Corbusier visava transformar cada habitante em um cidadão 'universal'", disse o prefeito Marc Petit, que também preside a associação de lugares onde o arquiteto deixou sua marca.

 

Charles-Edouard Jeanneret-Gris, conhecido como Le Corbusier (Suíça, 1887 - França, 1965), foi um grande defensor da iluminação, da natureza e do espaço como eixos de suas construções.

 

Em Firminy o arquiteto teve a oportunidade de moldar sua filosofia em grande escala, constituída na Carta de Atenas em 1933, que estabelece cem critérios para a edificação de cidades, de uma forma só superada em dimensões na cidade indiana de Chandigarh.

 

Terraço-jardim, janelas horizontais, estrutura de pilotis e um permanente jogo de iluminação são alguns dos elementos presentes nas construções de Firminy, catalogadas na França como monumentos históricos durante o processo de construção.

 

A igreja, que teve a constelação de Orión perfurada em uma das paredes e foi dotada de três canhões de luz, foi uma dor de cabeça para seus construtores, que não conseguiram concluir a obra até 2006.

 

O templo, multiconfessional, não costuma deixar nenhum visitante indiferente. "Se falamos de Le Corbusier é porque sempre é surpreendente", afirmou o arquiteto chefe regional dos monumentos históricos, Jean François Grange-Chavanis.

 

Na obra do arquiteto franco-suíço "nunca se encontra algo casual, mesmo que seja um trinco, a altura do teto, uma janela ou a estrutura", afirmou Grange-Chavanis para explicar um dos motivos pelos quais suas construções ainda surpreendem hoje em dia apesar de ter completado, em alguns casos, quase um século.

 

A "unidade de habitação" de Firminy é uma boa prova disso, com detalhes arquitetônicos como corrimãos e varandas ergonômicos, bancos para descansar localizados de forma estrategica e mobílias integradas nos apartamentos com funções tão planificadas como apoiar um copo enquanto se contempla a vista do vale.

 

No último apartamento, Le Corbusier fez uma escola para facilitar a vida dos habitantes do lugar, enquanto que no terraço construiu um teatro sob as estrelas e uma piscina adaptada para as crianças.

 

São elementos, cada um deles, pensados para situar o homem no centro da arquitetura, uma visão progressista que influenciou a carreira profissional de Jeanneret-Gris.

 

Construções de seis países, Alemanha, Argentina, França, Bélgica, Japão e Suíça, completam junto a Firminy a candidatura para que a obra de Le Corbusier seja considerada patrimônio da humanidade.

 

Entre as obras figuram construções emblemáticas do arquiteto, como Villa Savoye, perto de Paris, a capela de Notre-Dame-du-Haut, em Ronchamp, leste da França, e a Curutchet House, na localidade argentina de La Plata.

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