Joint-venture Rio e BHP não deve alterar sistema para minério

O tradicional sistema de preço referencial para o minério de ferro não deve ser alterado após a formação da joint-venture entre as segunda e a terceira maiores mineradoras, Rio Tinto Ltd/Plc e BHP Billiton Ltd/Plc, afirmou o diretor-executivo da BHP na sexta-feira.

JAMES REGAN, REUTERS

05 de junho de 2009 | 11h32

O sistema, em que produtores e siderúrgicas decidem os preços do comércio internacional de minério de ferro avaliado em 88 bilhões de dólares, está sob pressão neste ano, já que os chineses ignoram o tradicional processo em que o primeiro preço fechado estabelece a referência.

O diretor da BHP, Marius Kloppers, disse em entrevista à imprensa que a empresa mantém seu apoio à precificação do minério de ferro ligada a um índice, em vez de um mecanismo adotado uma vez por ano que determina os preços através de negociações, mas que a mudança não é iminente.

"Achamos que a maneira de ver isso é que não se deve esperar uma mudança repentina", disse Kloppers.

Siderúrgicas chinesas rejeitaram o corte de 33 por cento negociado com rivais japonesas e coreanas e buscam descontos maiores, já que enfrentam uma desaceleração na demanda por aço.

Eles são contra uma mudança para a venda de minério com base em um índice futuro ou no mercado spot, e querem os cortes mantidos pelo resto do ano no formato de benchmark.

"A posição chinesa não vai mudar na negociação, ainda que a joint venture signifique uma grande mudança na situação fundamental", disse Tian Zhiping, vice-gerente-geral do Hebei Iron and Steel Group.

"Ainda estamos buscando um corte de preço maior comparado com o acordo japonês", disse ele.

A BHP tem estado sozinha na busca pelo fim do valor referencial, afirmando que um preço ajustado continuadamente reflete melhor os fundamentos do mercado de minério de ferro.

A Rio afirmou mais cedo na sexta-feira que estava descartando planos para uma união de 19,5 bilhões de dólares com a chinesa Chinalco e concordou em formar uma joint-venture com a BHP.

(Reportagem adicional de Tom Miles em Hong Kong)

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