Acervo Jorge Caldeira
Acervo Jorge Caldeira

Jorge Alberto Fonseca Caldeira, oftalmologista e fiel leitor do Estadão

Melhor aluno de sua turma na Faculdade de Medicina, amava a Portuguesa e ler o jornal diariamente

Acervo, Estadão

30 de setembro de 2019 | 11h17

 Numa de suas primeiras fotos, criança há pouco saída do colo, Jorge Alberto Fonseca Caldeira [1927-2019] aparece de óculos, lendo O Estado de S. Paulo de 25 de agosto de 1929

A cena foi preparada pela mãe, a severa professora Evelina (dava aulas na escola de sua irmã, Ofélia Fonseca), casada com o médico cirurgião e professor de medicina Jorge dos Santos Caldeira. O retratado era o único filho do casal.

O pai, além de médico, era cartola: sem ser português, foi presidente da Portuguesa de Desportos em três ocasiões. Com isso a infância de Jorge Alberto, o Betinho, dividiu-se entre a escola da tia, os muitos pratos que a mãe, exímia cozinheira, preparava no fogão a lenha que fazia questão de manter em casa, a Santa Casa de Misericórdia (ia jantar com o pai nos dias de plantão) e os treinos nas divisões de base da Portuguesa (tomava bondes para ir até o campo do União, numa travessa da Rangel Pestana).

Em 1946 entrou para a Faculdade de Medicina da USP e no mesmo ano começou a namorar Carmen Pires do Rio. Ao longo dos seis primeiros anos do relacionamento ele foi o primeiro aluno em todas as matérias do curso – desempenho que o levou a ganhar uma bolsa para fazer residência na Johns Hopkins University, em Baltimore, para onde o casal de mudou após o casamento.

Na volta passou a dividir seu dia entre a Faculdade de Medicina da USP, onde terminaria a carreira como Professor Titular de Oftalmologia, e seu consultório particular – no qual, para manter atendimento integral ao paciente, trabalhava sem auxiliares. Ao longo da vida realizou mais de três mil cirurgias de estrabismo – sua especialidade – e publicou mais de uma centena de trabalhos, a grande maioria no exterior.

Por toda a vida fez absoluta questão de ler diariamente O Estado de S. Paulo. Um de seus últimos pedidos foi a compra de uma luminária para poder ler decentemente seu exemplar no hospital, enquanto ouvia música clássica pela Cultura FM (só admitia que os filhos levassem televisão para sua casa em época de Copa do Mundo). Por muitos anos fazia uma única queixa constante depois de terminada a leitura: poucas notícias da Portuguesa – a queixa desapareceu com o time.

Viúvo, faleceu no sábado, 28, aos 91 anos e deixa quatro filhos. A antropóloga Teresa Pires do Rio Caldeira; o escritor Jorge Caldeira; o economista e empresário Eduardo Pires do Rio Caldeira e a bióloga Marina Pires do Rio Caldeira. Deixa também sete netos.

Jornal da foto - Abaixo, a capa ampliada de o Estado de S. Paulo que o menino segura na imagem do ínicio. 

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