Jornal americano vê possível 'corrida armamentista' na América Latina

Jornal afirma que gastos com defesa aumentaram no continente nos últimos anos.

BBC Brasil, BBC

16 de janeiro de 2008 | 09h05

O aumento de gastos com defesa na Venezuela, no Brasil e no Equador, somado a recentes compras significativas de armamentos por Chile e Colômbia, pode marcar o início de uma corrida armamentista na América do Sul, afirma reportagem do jornal americano Christian Science Monitor publicada nesta quarta-feira.Com o título "Será que a América Latina está partindo para uma corrida armamentista?", a reportagem diz que a preocupação aumentou com as recentes compras do Brasil e da Venezuela."O presidente venezuelano, Hugo Chávez, rico com dinheiro do petróleo, gastou livremente com helicópteros de ataque e transporte, aviões de combate russos e 100 mil rifles Kalashnikovs.""No vizinho Brasil, que tem metade da área e da população da América Latina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu recentemente ao Congresso que reservasse R$ 10,13 bilhões - um aumento de 53% - para o orçamento militar de 2008", diz o jornal.Segundo o CSM, o aumento de gastos com defesa se deu por motivos diferentes na região, mas alguns dos países se preocupam com as ambições de Chávez e não querem permitir que ele saia na frente militarmente."O Brasil e a Venezuela já disputam a supremacia política na América do Sul, com Chávez reunindo os radicais de esquerda sob sua bandeira socialista e o presidente Lula liderando uma coalizão de sociais democratas mais comedida", afirma a reportagem."Neste momento, os dois líderes são amigos e as duas nações não têm disputas sobre a fronteira ou conflitos históricos que possam ser inflamados", acrescenta o jornal. "Mas há tensões entre a Venezuela e a Colômbia por conta de águas territoriais ricas em gás e zonas da fronteira onde as guerrilhas das Farc estão ativas. E a Venezuela já reclamou a região oeste da Guiana."InvestimentoA reportagem ainda cita o coronel da reserva Geraldo Lesbat Cavagnari, coordenador do grupo de Estudos Estratégicos da Unicamp, que teria dito: "O Brasil não vai dizer isso, mas o armamento do Chávez fez com que ele investisse nos militares".O CSM afirma, no entanto, que poucos acreditam que Chávez esteja se armando para atacar um país vizinho."Ainda assim, a idéia de um líder imprevisível com armamentos modernos preocupa alguns moderados do continente", diz o texto. "Mas muitos analistas afirmam que a região não pode destinar grandes quantias para a compra de armas.""A pobreza ainda é um grande problema na maioria dos países sul-americanos e ela - junto com infra-estrutura, justiça e educação - é vista como prioridade mais importante do que submarinos ou aviões de combate."A reportagem conclui afirmando que o investimento em defesa no Brasil, na verdade, vem atrasado para "o maior país da América do Sul".Segundo o jornal, anos de negligência deixaram os armamentos brasileiros obsoletos ou sem manutenção. Além disso, as prioridades de defesa teriam mudado e se concentram agora na defesa de suas fronteiras na selva, no norte e oeste do país, e nas águas territoriais, onde foram encontradas novas reservas de gás e petróleo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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