Jornal de Murdoch pagou assessor de Cameron, diz BBC

A News Corp financiou o ex-diretor do tabloide News of the World quando ele trabalhava para David Cameron, na oposição, disse a BBC, em uma nova evidência das relações próximas entre o primeiro-ministro britânico e o magnata Rupert Murdoch, dono do jornal.

KATE HOLTON, REUTERS

23 de agosto de 2011 | 12h37

A oposição trabalhista e analistas políticos repetidamente questionaram o bom senso de Cameron em contratar Andy Coulson como seu porta-voz em 2007, logo depois que o diretor renunciou ao cargo no tabloide por causa da prisão de seu repórter por usar escutas ilegais enquanto cobria a família real.

A decisão de nomear um homem tão associado a Murdoch para um cargo tão importante era prova, diziam, de que Cameron estava desesperado em garantir o apoio do chefe da News Corp.

Alegações agora de que Coulson manteve relações financeiras com o proprietário dos influentes jornais Sun e Times devem provocar ainda mais danos.

A BBC disse que Coulson, que foi preso no começo deste ano sob suspeita de envolvimento no escândalo de escutas ilegais, recebeu vários milhares de libras da News International, o ramo de jornais britânicos do império de mídia News Corp., como parte de um pacote de indenização que foi pago em parcelas até o final de 2007.

Ele também recebeu benefícios como seguro-saúde por três anos e manteve o carro da empresa, disse a BBC, citando fontes.

O Partido Conservador de centro-direita de Cameron sempre foi criticado por ser próximo demais de Murdoch, embora ex-primeiros-ministros britânicos trabalhistas, como Tony Blair e Gordon Brown, também tivessem cortejado abertamente o barão da mídia.

Um porta-voz do Partido Conservador disse que membros da legenda não sabiam dos arranjos financeiros. O governo britânico não quis comentar a notícia, mas observou que os eventos aconteceram antes de Cameron se tornar primeiro-ministro.

A oposição trabalhista, que busca explorar o mal-estar de Cameron, pediu transparência sobre a questão. "David Cameron precisa dizer se sabia sobre os pagamentos feitos a Andy Coulson", disse Ivan Lewis, porta-voz das questões culturais dos Trabalhistas.

A associação com o escândalo de escutas telefônicas ilegais pode corroer a reputação de Cameron enquanto ele busca centrar a atenção em questões importantes como a economia fraca, os recentes tumultos no país e o conflito na Líbia.

"Esse assunto está apodrecendo para Cameron", disse Ivor Gaber, professor de jornalismo político da City University à Reuters. "Não é bom para ele, coloca seu poder de discernimento em questão. E seria muito grave se viesse a publico que isso aconteceu quando Coulson estava trabalhando em Downing Street."

Cameron manteve Coulson como seu diretor de comunicação quando foi eleito primeiro-ministro em 2010. A News International não quis comentar a notícia.

(Reportagem adicional de Keith Weir e Avril Ormsby)

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