Jovem inicia vida sexual antes dos 15 e tem mais parceiros

Pesquisa mostra ainda que 14% fizeram sexo com alguém que conheceram pela internet

Maria Rehder, do Jornal da Tarde,

03 de setembro de 2008 | 02h27

Usar a pílula do dia seguinte ou ter relação sexual com diferentes parceiros ao longo da adolescência são atitudes que fazem parte do cotidiano do jovem brasileiro de classe média com idade entre 13 e 16 anos. Pesquisa realizada com 6.308 alunos de escolas particulares de todo o País revela que 22% deles perderam a virgindade. Veja também:Confira a pesquisa sobre a vida amorsa dos jovensConfira a pesquisa sobre uso de camisinha  Nesse universo, de 1.383 jovens, 22,1% disseram já ter tomado a pílula do dia seguinte para prevenir a gravidez. Além disso, 19% responderam que tiveram relação sexual com pelo menos cinco parceiros (nesse item há uma diferença quando o dado é desmembrado entre meninos - 23,2% afirmaram que sim - e meninas - 10,4%). E 14% fizeram sexo com alguém que conheceram pela internet. No geral, 25% tiveram a primeira relação sexual aos 14 anos. A pesquisa foi realizada no primeiro semestre deste ano com alunos de 270 escolas particulares brasileiras que são conveniadas ao Portal Educacional, entidade responsável pela aplicação dos questionários. Andréia Maia Santana, uma das coordenadoras do estudo, explica que os professores das escolas participantes receberam capacitação e acompanharam os alunos no momento em que responderam o questionário via internet. Dos adolescentes que afirmaram ser virgem, 85% disseram já ter "ficado" com alguém. Preocupação No entanto, é o comportamento dos 22% que afirmaram ter perdido a virgindade até os 16 anos que chama atenção. A suspeita de gravidez, por exemplo, foi alta no universo pesquisado: 42,3% acharam ter engravidado alguém, no caso dos meninos, ou ter ficado grávida, no caso das meninas. Apesar de 86% dos jovens relatarem ter usado camisinha, o número de meninas que usaram a pílula do dia seguinte é significativo, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. É nesse contexto que os especialistas alertam os pais para que não fechem os olhos à nova realidade da juventude. Segundo o psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Thiago Fidalgo, os números da pesquisa confirmam dados encontrados em estudos anteriores e chamam a atenção para a falta de planejamento do jovens quando o assunto é vida sexual. A orientação dada pelo psiquiatra é que os pais, ao tomarem conhecimento dessa realidade, chamem os filhos para conversar. "E não é só o sexo que deve estar pautado nessa conversa. As notas da escola, a prevenção ao uso de drogas. Não dá para evitar que o comportamento dos jovens tem mudado." Além das famílias, a escola também deve acompanhar o comportamento atual dos jovens. Uma forma de garantir que os programas de prevenção atinjam de fato o cotidiano dos jovens é tentar organizar os temas em conjunto com os adolescentes. "De nada adianta a escola falar para o jovem que ele não pode ter relação sexual sem camisinha. Ele precisa ter informações que o façam de fato entender essa necessidade." Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan (entidade que desenvolve programas de educação sexual para escolas), explica que a pesquisa comprova o comportamento atual de que o jovem não pensa em ter uma pessoa para a vida toda ao decidir por sua primeira relação sexual. "Eles transam pela primeira vez porque a pessoa é interessante naquele momento. Não é como antigamente que a menina pensava em casar e ter alguém para a vida toda." Aos 15 anos, L.A., aluna do 1º ano do ensino médio, leva preservativo na bolsa e diz que teve relações sexuais com três parceiros. A sua primeira vez foi aos 14 anos, após 8 meses de namoro com um menino de 19 anos. A mãe, porém, nem imagina que sua vida sexual começou. "Meus pais não entenderiam, por isso juntei dinheiro e paguei um ginecologista. Fui com uma amiga." Ela conta que sempre usou camisinha e quando questionada sobre como as informações sobre prevenção chegaram é enfática: "Na mídia, na escola, todo mundo sabe sobre a importância do uso da camisinha." M.B., de 15 anos, também aluna do 1º ano do médio, perdeu a virgindade há uma semana com um "rolo". "Usei camisinha, ele também era virgem. Mas não foi legal."

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