Jovem virou ativista após ser agredido no Recife

Para Glauber Stringlini, situação na rua e no trabalho melhorou, mas ainda é complicada em casa, perante a família

ANGELA LACERDA / RECIFE , O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2012 | 02h06

Glauber dos Santos Stringlini, de 23 anos, levou chute e soco de um colega na escola pública em que cursava o 1.º ano do ensino médio, no bairro Várzea, no Recife. Foi há oito anos. O agressor ouviu um boato de que Glauber estaria interessado em "ficar" com ele. Com medo, o rapaz nem sequer procurou a direção da escola.

"Eu não era politizado. Entre os amigos gays, a gente mesmo se chamava pejorativamente de veado, bicha", lembra. A militância contra a homofobia surgiu quando homossexuais foram agredidos em uma praça do bairro, onde jogavam queimado (ou queimada), com garrafas e tapas. Glauber foi uma das vítimas. A polícia foi chamada e sete agressores foram detidos, mas ninguém prestou queixa formal.

Glauber criou com amigos o grupo Gaymado - numa referência ao jogo com bola -, contatou instituições municipais e estaduais de defesa da diversidade sexual, passou a participar de fóruns de direitos humanos. Atua na comunidade e já fez oficinas em várias escolas públicas, levando informações de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e dos direitos LGBTT. A iniciativa conseguiu reduzir o preconceito no bairro. "Não somos mais alvo de piadas, mas de respeito", afirma.

Na sua avaliação, os homossexuais mais jovens já não enfrentam tanta discriminação. "A maior dificuldade, hoje, é em casa, na família. Na rua e no trabalho está mais fácil."

Recife tem lei que proíbe discriminação de orientação sexual em estabelecimentos públicos ou privados. Uma lei estadual garante pensão para o parceiro ou parceira homossexual e outra permite o uso do nome social para travestis e transexuais.

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